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Audiência sobre crack reúne mais de 500 pessoas em Três Lagoas

16 de agosto 2011 - 20h48 Por Redação Douranews, com Assessoria
Audiência sobre crack reúne mais de 500 pessoas em Três Lagoas
Como enfrentar este problema social  e o que pode ser feito para conter  avanço do consumo de drogas, que dizima vidas e desestrutura famílias e a sociedade, foram os principais temas expostos por autoridades

Audiência Pública de Enfrentamento e Combate ao Crack, realizada na noite desta segunda-feira (15), no recinto do Plenário da Câmara Municipal, reuniu mais de 500 pessoas, conforme informações dos organizadores. Tanto o recinto do Plenário, como o salão de Eventos (anexo ao lado), onde foi instalado um telão, estavam lotados.

O evento foi promovido pela Câmara Municipal, com a participação da Prefeitura de Três Lagoas, através da Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Cidadania, e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Esta foi a segunda Audiência Pública, sobre o mesmo assunto, a primeira realizada no Plenário Júlio Maia da Assembleia Legislativa. Já estão programadas outras 10, a serem realizadas em outras cidades do Estado, para abordar o enfrentamento às drogas, especialmente, o crack, conforme informou o deputado Eduardo Rocha.

Além do deputado, que abriu e presidiu os trabalhos, a Audiência Pública contou com a participação da prefeita Márcia Moura (PMDB); deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), membro da Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas, na Câmara dos Deputados; Promotor de Justiça da Infância e Juventude, da Comarca de Campo Grande, e presidente do Conselho Estadual Antidrogas (CEAD), Sérgio Fernando Harfouche; secretária estadual de Trabalho e Assistência Social, Tania Mara Garib; presidente da Câmara Municipal, vereador Jurandir da Cunha Viana Júnior (PMDB) com todos os vereadores; secretária municipal de Assistência Social, Trabalho e Cidadania, Maria Lúcia Firmino; Promotora de Justiça de Defesa da Criança e do Adolescente, da Comarca de Três Lagoas, Ana Cristina Carneiro Dias; prefeito da vizinha cidade de Brasilândia, Antônio de Pádua Thiago, junto com vereadores e assessores; comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar, major Wilson Sérgio Monari, acompanhado de representantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar Rodoviária (PMR), Exército Brasileiro e Corpo de Bombeiros; Delegado Regional de Polícia Civil, Vitor José Fernandes Lopes; pastor Marcos Rogério, da Igreja Peniel, coordenador do Centro de Reabilitação Peniel; e o Mestre Armando Catrana, diretor do Centro Salesiano Jesus Adolescente da Vila Piloto.

Pronunciamentos

Em meio aos pronunciamentos, que enriqueceram a Audiência Pública, levantando questionamentos e apresentando propostas para o enfrentamento do crack e das demais drogas, a prefeita Márcia Moura falou das ações que sua administração vem desenvolvendo junto às crianças, adolescentes, jovens e até adultos.

Além de todo o trabalho de educação e de prevenção às drogas, que é feito nas escolas municipais, a Prefeitura de Três Lagoas mantém o Centro de Atenção Psicossocial para usuários de Álcool e outras Drogas (CAPS-AD), implantado em junho do ano passado. Desde que foi criado, já atendeu mais de 600 pessoas usuários de drogas.

“Esta proposta, tão bem idealizada pelo nosso amigo e deputado estadual, Eduardo Rocha, só vem somar aos trabalhos, já desenvolvidos em nossa cidade, na prevenção e enfrentamento às drogas”, disse a prefeita.

“Coloco-me, pessoalmente, à disposição, assim como toda a nossa administração, para colaborarmos e aderirmos todos juntos à luta e prevenção das drogas”, manifestou.

“O problema do consumo de drogas, não é só individual, mas acaba afetando a sociedade como um todo e ameaça a estrutura das famílias que passam pelo problema de ter em seu meio um usuário”, observou Márcia Moura.

“Nossa Cidade cresce e o aumenta também o peso de nossas responsabilidades para enfrentamento de problemas sociais, como o do consumo de drogas”, completou a prefeita Márcia Moura.

Ações Locais

Por sua vez, Mandetta falou de sua experiência e do trabalho que vem desenvolvendo em Brasília, como deputado federal da bancada de Mato Grosso do Sul. Ele propôs que se criem ações específicas para a solução de problemas locais, sem esperar decisões que venham de cima. “Temos que nos empenhar nas decisões locais, valorizando, principalmente, os detentores de valores de combate às drogas”, disse o deputado. Ele se referiu às Igrejas, Instituições e Entidades, as Organizações Não Governamentais (ONGs).

Coube também às demais autoridades, como a secretaria de Estado, Tania Garib, comandante local da PM, major Monari, Promotor Harfouche e ao pastor da Igreja Peniel, Marcos Rogério, a exposição de suas respectivas experiências e propostas de enfrentamento às drogas.

“É uma guerra que nós vivemos todos os dias, mas que deve ser abraçada por toda a comunidade”, disse o major Monari. Segundo ele, “a perda de autoridade nas escolas e na família acaba repercutindo no aumento da responsabilidade e das ações que passam a ser feitas pela Polícia Militar”, observou.

“A PM vivencia os problemas e, muitas vezes, se sente até impotente diante de uma legislação enfraquecida, que resulta no aumento do número de reincidentes no tráfico de drogas”, explicou o comandante da PM.

“Sabemos que é difícil a gestão de políticas públicas, principalmente, as voltadas para a assistência social e solução de problemas decorrentes do consumo de drogas”, avaliou a secretária de Estado de Assistência Social.

“Temos que criar um grande mutirão de pessoas de bem e de entidades e instituições. Nós como governo temos que dar todo o apoio a estas ações”, manifestou Tânia Garib.

“A droga não é só problema de pobre, é de todas as camadas sociais. O que apenas muda é a forma de tratamento”, comentou a secretária de Estado.

Para o deputado Eduardo Rocha, “discutir estratégias e unir esforços para combater o crack é o objetivo principal da realização das audiências públicas”, disse.

“Nossa intenção é provocar uma ampla discussão onde o foco das soluções e propostas seja a prevenção, juntamente com ações de repressão e ressocialização dos usuários”, destacou.

Ao final das Audiências Públicas, a serem realizadas em outras cidades de Mato Grosso do Sul, será elaborado um documento, que servirá de parâmetro para propostas de ações concretas. “No final desta nossa proposta de Audiências Públicas, será elaborada Carta Aberta de Mato Grosso do Sul, como proposta de enfrentamento às drogas”, anunciou o deputado.