Profissionais do Corpo de Bombeiros, do Samu e da Defesa Civil, além de funcionários de indústrias e órgãos ambientais passaram por cinco dias de treinamento e receberam informações de como agir durante um acidente com produtos químicos. O local escolhido para o a ação foi o pátio de uma fábrica de celulose em Três Lagoas, a 338 quilômetros de Campo Grande.
A simulação é de um acidentena rodovia, envolvendo um veículo de passeio e um caminhão. No local, além de atender as vítimas, é preciso ter cuidado com o vazamento. Os alunos terão que atender a ocorrência garantindo a segurança deles, da vítima, da população e do meio ambiente, tudo isso, durante a noite.
“Durante o dia você tem facilidade de visualizar as distâncias. À noite, se tivesse um produto que estivesse vazando e gerasse nuvem tóxica, você não conseguiria ver para onde a nuvem está indo e ainda há pessoas em volta da emergência”, explica o instrutor internacional de emergência, Saul José Bettini.
Com roupas específicas de proteção e equipamentos de segurança, os alunos precisam tirar a vítima das ferragens e conter o vazamento. Depois de cumprir a missão as equipes precisam limpar os resíduos que podem ter ficado nas roupas para evitar contaminação. O trabalho é minucioso e exige muito cuidado. “Se percebemos que a pessoa que está no local não tem capacitação, nós a tiramos, pois ela pode provocar um novo acidente”, disse Bettini.
Este foi o segundo treinamento com produtos químicos feito neste ano. A ação preventiva foi exigida na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a fábrica e a prefeitura de Três Lagoas para que a indústria tivesse um programa de segurança comunitária.
O acordo foi firmado após acidente ocorrido em 2009, em que houve vazamento de produto químico. Por conta do mau cheiro, muitos moradores passaram mal e tiveram sintomas, como dor de cabeça, náuseas, vômitos e dificuldade para respirar. Na época, a fábrica reconheceu o problema e disse que uma falha técnica provocou o problema.
“A fábrica trabalha com vários produtos químicos, como ácido sulfúrico, dióxido de cloro e nós temos vários recursos para evitar acidente, este foi o motivo que a gente quis compartilhar este treinamento”, disse a consultora ambiental Maria Tereza Borges.
O capitão Sidnei Antônio Ruiz, do Corpo de Bombeiros, diz que é preciso o preparo para atender ocorrências desta natureza. “Não podemos esperar que aconteça para que a gente se prepare”.