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MPF denuncia seis fazendeiros de MS por assassinato de índios em 2009

18 de novembro 2011 - 16h47 Por Redação Douranews
MPF denuncia seis fazendeiros de MS por assassinato de índios em 2009

O Ministério Público Federal em Ponta Porã apresentou à Justiça denúncia contra seis fazendeiros do município de Paranhos pelo assassinato dos professores guaranis Givanildo Vera e Rolindo Vera, ocorrido em outubro de 2009, crime que teve repercussão internacional.

Segundo o Uol Notícias, os denunciados são o presidente do sindicato rural de Paranhos, Moacir João Macedo, os irmãos Rui, Evaldo e Fermino Escobar Filho, da fazenda São Luiz, Joanelse Tavares Pinheiro, da fazenda Taquarey, e Antônio Pereira. A Justiça ainda não decidiu se acata o pedido do MPF. Os três da família Escobar negaram as acusações. Os demais não foram localizados.

Givanildo foi morto com um tiro nas costas. O corpo de Rolindo nunca foi encontrado. Os dois eram ativistas na luta por terras de seus ancestrais da etnia guarani-kaiowá. A ONG Anistia Internacional usava o crime dos professores como exemplo de impunidade da violência contra os guaranis. Ela fez campanha no exterior pedindo apuração do caso e cobrando do governo a demarcação das terras deles.

O inquérito da Polícia Federal demorou dois anos. Segundo a denúncia do MPF, os seis fazendeiros saíam ao anoitecer em seus veículos para perseguir índios na beira das estradas. Eles atacavam mascarados e usando armas de diversos calibres. Entre as provas, os peritos apresentaram cartuchos recolhidos que combinaram com armas apreendidas nas fazendas.

O motivo seria evitar a demarcação de terras da aldeia Y’poi, nascida de uma invasão em 2009 e encravada na fazenda São Luiz, a 15 km da sede do município, na fronteira com o Paraguai. A aldeia ocupa 80 dos 2.000 hectares da fazenda, propriedade de Fermino Aurélio Escobar, 79, pai de três dos fazendeiros denunciados. Ele pediu à Justiça a expulsão dos índios da Y’poi, alegando que sua família tem a posse da área desde 1886.