Cerca de 70 indígenas chegaram, na noite deste sábado (19), ao acampamento Guaviry, situado na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou ao G1 que os índios são de aldeias que ficam próximas ao acampamento e cobram o corpo do cacique que está desaparecido desde a última sexta-feira (18).
O coordenador regional da Funai, Silvio Raimundo da Silva, explicou que o cacique, de 59 anos, era um líder religioso muito respeitado pelos índios e por isso o sumiço dele causou grande impacto na população indígena da região. “Eles estão bastante agitados, abalados e temerosos com essa situação”, disse Silva.
A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso. Os indígenas afirmam que o líder religioso do acampamento Guaviry, situado em fazendas entre os municípios de Aral Moreira e Amambai, região sul do estado, teria sido morto a tiros por um grupo de aproximadamente 40 pistoleiros. Para a Funai, o cacique está desaparecido.
De acordo com um dos filhos do cacique, que tem 14 anos, os pistoleiros invadiram o acampamento e atiraram na cabeça do pai com balas de borracha.
A perícia policial colheu fragmentos de munição e vestígios de sangue no acampamento. Exames devem apontar se as amostras são de material humano. Os acampados relatam ainda que o corpo do cacique teria sido colocado em uma caminhonete.
Ainda segundo o coordenador da Funai, cerca de 65 índios estavam acampados no local, 30 continuam desaparecidos na mata. Os outros estão reunidos com o grupo que chegou ao acampamento Guaviry na noite de sábado.