Dias antes do suposto crime, um avião de pequeno porte, que transportava cerca de US$ 1 milhão teria caído, ou feito um pouso forçado nas proximidades do assentamento, sendo então saqueado pelos índios que, após se apossarem do dinheiro, teriam “sumido”. As informações diriam ainda que o ataque seria uma tentativa de recuperar o dinheiro, que poderia ser da mesma quadrilha desarticulada pela Polícia Federal esta semana, ou de traficantes.
De acordo com os indígenas, o cacique Nísio Gomes foi morto e três moradores do acampamento foram sequestrados. O corpo do cacique desapareceu e ainda não há pistas sobre os desaparecimentos. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal abriram inquérito para investigar o caso.
Ministra anuncia reforço
Os constantes conflitos envolvendo indígenas e produtores rurais na região da Grande Dourados, principalmente depois do episódio ocorrido em Amambaí, com o desaparecimento do cacique Nísio Gomes e outros três moradores do Acampamento Tekoha Gaiviry, que segundo as denúncias teriam sido seqüestrados e assassinados após o ataque de pistoleiros, despertaram no Governo Federal a necessidade de intervir de forma mais objetiva.
O reforço das ações na região foi anunciado Secretaria de Direitos Humanos, a ministra Maria do Rosário, na manhã de hoje. Segundo a ministra, o governo reunirá, em Mato Grosso do Sul, o Comitê Gestor de Ações Indígenas Integradas para Dourados, quando deverá ser anunciado um pacote de políticas públicas para os mais de 44 mil índios da região. “O comitê, que é composto por vários ministérios, estará em reunião em Mato Grosso do Sul exatamente para tratar de questões relacionadas ao atendimento em saúde, de segurança, e um conjunto de políticas para as comunidades indígenas”, adiantou a ministra.
Maria do Rosário diz ainda que “os conflitos agrários na região têm desencadeado situações de muita violência, com mortes que poderiam ter sido evitadas. O desafio é asseguramos segurança e direitos humanos às comunidades indígenas e tratar o conflito agrário com definições claras do Estado brasileiro”, acrescentou.
Para ela, “é preciso cobrar das autoridades a investigação sobre os mandantes e executores de crimes contra indígenas, comuns na região”.