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Índios de Amambai protestam hoje contra desaparecimento de liderança

30 de novembro 2011 - 09h29 Por Redação Douranews
Índios de Amambai protestam hoje contra desaparecimento de liderança

Quase duas semanas após a informação dando conta do assassinato do líder político e religioso Nísio Gomes, no acampamento Tekoha Guaiviry, em Amambai, os Guarani-Kaiowá vão protestar hoje (30) percorrendo a rodovia MS 386, entre Amambai e Ponta Porã, para pedir o fim do genocídio contra os povos indígenas. A manifestação, que está prevista para acontecer entre 7 e 8 horas, no Posto Taji, vai terminar com uma concentração no acampamento de onde Nísio desapareceu no último dia 18. São aguardadas cerca de 500 pessoas entre indígenas e integrantes de movimentos sociais.

A marcha tem como principal exigência investigações rigorosas para confirmar a suspeita do assassinato do líder indígena e a prisão dos mandantes e executores do crime. Os indígenas também querem que a investigação comece de imediato e que ainda neste ano sejam apresentados resultados palpáveis. De acordo com o indígena Kuararê, a manifestação será pacífica e buscará mostrar que os Guarani-Kaiowá querem o fim da violência e a execução de seus direitos.

"Esta manifestação foi chamada principalmente pelos rezadores, pois estamos precisando fazer rituais para apaziguar a situação de violência. Nossa ideia é mostrar que os Guarani-Kaiowá não são violentos. Na cultura do Mato Grosso do Sul dizem que nós somos violentos, mas não somos. Foram os não-indígenas que mataram covardemente uma liderança nossa. Ainda não estamos fazendo nada para sermos chamados de violentos. Só queremos o que é nosso”, manifestou.

Em São Paulo também acontecem manifestações de apoio à causa dos índios sul-mato-grossenses. Estava previsto para às 19 horas de ontem (29) um ato contra o genocídio do povo Guarani Kaiowá por iniciativa de organizações sociais e estudantis, no Pátio da Cruz da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do campus de São Paulo, em Perdizes, como escreve a jornalista Natasha Pitts, da Adital (Notícias da América Latina e Caribe).

Os fatos

No dia 18, por volta das 6h30, pistoleiros mascarados e fortemente armados teriam invadido o acampamento Tekoha Guaiviry e tirarado a vida do líder Nísio Gomes, com vários tiros de uma arma calibre 12 que o teriam atingido nos braços, pernas, peito e cabeça. A Polícia Federal ainda não confirma o crime porque o corpo de Nísio não foi localizado. Três crianças também foram levadas e estão desaparecidas até o momento. No mesmo dia, outras pessoas ficaram feridas por tiros dados com balas de borrachas.

De acordo com o Relatório de Violência contra os Povos Indígenas em Mato Grosso do Sul, do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), entre os anos de 2003 e 2010 ocorreram 253 assassinatos de indígenas no estado. Grande parte dos casos está relacionada à luta pela terra.