As denúncias de fraudes na obtenção de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) levaram a suspensão de sete examinadores do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), quatro instrutores de trânsito, três médicos, duas psicólogas e duas autoescolas em Mato Grosso do Sul.
Nas portarias, publicadas na sexta-feira e hoje (23), o diretor-presidente do Detran, Carlos Henrique dos Santos Pereira informa que o afastamento das funções públicas é devido à decisão judicial da comarca de Naviraí, onde corre o processo de corrupção passiva contra os suspeitos de participação nas fraudes.
O esquema foi revelado durante a operação “Sinal Vermelho à Corrupção”, realizada no último dia 13 em Naviraí, Douradina e Campo Grande. As denúncias chegaram ao Detran em setembro do ano passado. As fraudes aconteciam em todas as fases da emissão do documento, desde o exame médico até a prova prática. O preço variava entre 800 a R$ 3 mil.
O esquema garantia que analfabetos e pessoas com problemas oftalmológicos fossem consideradas aptas a obter CNH. O candidato a motorista deve ser alfabetizado, ser considerado apto no exame médico, além de aprovação no psicotécnico, prova escrita e prova prática.
No exame teórico, a fraude contava com cinco aplicadores de prova da Fapec (Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura). O dinheiro era dividido entre os envolvidos durante festas com mulheres e bebidas, conforme reportagem do Campograndenews. Ao todo, 18 pessoas foram presas, mas já estão em liberdade. Eles foram soltos no dia 17 de janeiro, em Campo Grande. Outros dois mandados de prisão não foram cumpridos.