Em uma fazenda em Bonito, equipe mergulha nas águas alagadas do rio Formoso em busca de imagens de sucuris. Nesta época do ano esses animais estão em período de acasalamento e descobriu-se recentemente na propriedade um refúgio natural de reprodução da cobra.
Os momentos de estiagem são ideais para encontrar a sucuri no local, longe das áreas turísticas da cidade. A equipe percorre quilômetros mato a dentro. O guia Juca Ygarapé orienta a equipe antes do mergulho.
“Nunca encoste nela [cobra]. No começo, fique um pouco distante até a sucuri conhecer você”, explica Ygarapé.
Há registros de sucuris com mais de dez metros de comprimento, isso significa maiores do que um ônibus. No Brasil existem três espécies, a amarela do Pantanal; a verde, encontrada nas áreas alagadas do cerrado e da Amazônia e a malhada, que existe somente na ilha de Marajó (PA). O bicho mata por asfixia, capaz de engolir animais inteiros.
O fotógrafo Luciano Candisani se prepara para filmar a cobra debaixo d'água. Para ele, cada mergulho é como se fosse o primeiro.
“Com a correnteza, acho que pode atrapalhar mais a estabilidade das imagens. Agora eu estou tomando o cuidado de molhar a câmera para evitar que a lente embace na água, porque ela está mais fria”, explica.
No fundo do rio, a velocidade e o tamanho da cobra impressionam. Um homem adulto do lado dela fica pequeno. A forte correnteza dificulta as gravações. Qualquer movimento suja a água e a sucuri, de mais de sete metros, some no meio da nuvem de areia. Quando melhora a visibilidade ela volta a aparecer.
O biólogo Daniel de Granvile fala que muitas vezes essa espécie de cobra é injustiçada pelas histórias contadas pelo povo. “Ela não está lá esperando com fome para engolir um de nós”, afirma.
Segundo ele, no período de acasalamento, todo cuidado é pouco nos mergulhos. “Existem relatos de que na época da reprodução ela pode engolir um dos machos. Então nessa época do ano, os machos tendem a ficar mais agressivos porque eles estão com medo de ser devorados”, diz o biólogo.
No fim da busca, o fotógrafo se diz satisfeito com o que encontrou. “Pegamos um comportamento raro da sucuri fêmea enrolada no macho. Depois de duas horas aqui posso dizer que valeu a pena”, relata Candisani.