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Ludimar aluga terreno para Detran guardar motos apreendidas em Ponta Porã

19 de setembro 2012 - 20h59 Por Redação Douranews
Ludimar aluga terreno para Detran guardar motos apreendidas em Ponta Porã

Durante dois meses de campanha, por onde andou, uma das principais bandeiras do candidato Ludimar Novaes, do PPS, é a defesa da legalização das motos do Paraguai, estabelecendo inclusive como uma das principais metas do Plano de Governo. Como vereador, dos nove projetos apresentados em quatro anos, o principal deles foi justamente a tentativa de legalizar essas motos, com autorização especial da Prefeitura. Porém, a Comissão de Legislação e Justiça considerou o projeto inconstitucional e, no dia 8 de fevereiro de 2010, apresentou parecer contrário à sua aprovação.

Por outro lado, aproveitando-se desta situação irregular das motos clandestinas, a família Novaes “encontrou nesta ilegalidade uma maneira fácil de fazer uma receita extra para aumentar seu patrimônio”, publicou o Jornal Regional, de Ponta Porã, reproduzindo contrato assinado com o Detran entre Luiz Fernando Novaes, pai de Ludimar, no dia 7 de julho de 2011, para transformar um imóvel em depósito de motos apreendidas. O detalhe, segundo o jornal, para esse negócio, é que não houve licitação pública.

O imóvel em questão, segundo o jornal, pertencia a Luiz até o dia 19 de abril de 2010. Neste dia, foi registrada nova escritura em cartório, oficializando uma transação, “literalmente de pai para filho”, passando a propriedade para Ludimar Godoy Novaes e seu sócio Daniel Marques, que é filho do diretor local do Departamento Estadual de Trânsito, Jayme Marques. O valor da transação descrito no contrato foi de R$ 30 mil.

Com a locação, Novaes e o sócio obtiveram um lucro de R$ 24 mil em dozes meses com o aluguel do imóvel, lotado de motocicletas importadas do Paraguai compradas por pontaporanenses. O dinheiro obtido daria para comprar cerca de vinte motos zero quilômetro de 100 cilindradas no Paraguai.

Insistência em projeto

Na época em que o projeto de lei tramitou na Câmara, e a Comissão de Justiça considerou “flagrante a inconstitucionalidade”, tendo em vista que a Constituição Federal, no artigo 22, inciso XI, diz ser de competência privativa da União legislar sobre o trânsito e transporte, o vereador Ludimar alegava: “Porque apreender motocicletas importadas e que estão sendo utilizadas por brasileiros dentro do território do município de Ponta Porã? Trata-se de mais um absurdo, que esta lei visa corrigir”.

Outra gravidade em relação a este terreno é a dívida existente junto ao Município. Enquanto a maioria dos contribuintes de Ponta Porã paga seus impostos em dia, mesmo alguns ganhando cerca de apenas um salário mínimo por mês, Ludimar Godoy e Daniel Marques não fazem questão de pagar IPTU do terreno, mesmo o imóvel rendendo um lucro anual de R$ 24 mil. Eles devem R$ 641,32 do imposto referente ao ano de 2011 e oito parcelas do IPTU deste ano, o que totaliza uma dívida junto à arrecadação municipal de R$ 1.445,05.