Dois indígenas, da etnia terena, e que estão cursando o terceiro semestre de Administração Pública, obtiveram a 2ª e a 3ª colocação no processo seletivo para estagiários na Comarca de Miranda, que não possui nenhum tipo de cota racial, e já estão integrados na jornada de trabalho das 13 às 18 horas na Comarca de Miranda do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).
Wellington da Silva Cabral mora na aldeia Moreira, distante 2 km da cidade de Miranda, e desempenha atividades como encaminhar documentos por SCDPA e malotes digitais e digitalização de processos. “Decidi fazer o estágio porque é na área que estou cursando, assim tenho mais conhecimento e noção sobre a profissão que escolhi”, comenta.
O outro estagiário, Rodolfo Gonçalo Azevedo, esclarece que são poucos os índios que fazem um curso superior e mais reduzido ainda é o número dos que conseguem um estágio logo no inicio do curso. “Eu quero um conhecimento na minha área”. Rodolfo mora na aldeia Passarinho, que fica aproximadamente a 2,5 km da cidade e é o único da comunidade que está estagiando.
Em uma época em que há polêmica sobre cotas raciais nas universidades e em concursos, o juiz Luiz Felipe Medeiros Vieira, titular da 2ª Vara da comarca, lembra que os indígenas se destacaram com a colocação no concurso.