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Funai trata morte de garoto em aldeia de Caarapó como ‘execução’

19 de fevereiro 2013 - 19h41 Por Redação Douranews
Funai trata morte de garoto em aldeia de Caarapó como ‘execução’

A morte de um adolescente de 15 anos, com um tiro na cabeça, registrada domingo (17), em uma estrada que separa a aldeia guarani-kaiowá Tey´ikue de fazendas existentes na cidade de Caarapó, está sendo apontada pelo coordenador substituto do escritório da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Dourados, Vander Aparecido Nishijima, como execução em função Da disputa pela posse de terras na região.

Um grupo de cerca de 200 índios invadiu a fazenda onde o corpo do adolescente foi encontrado, na manhã desta terça-feira (19), para reivindicar a posse da terra indígena. A polícia trabalha com a hipótese de que o jovem tenha sido executado, como repercute o noticiário nacional distribuído pela Agência Brasil, da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), ligada ao gabinete da presidente da República.

O corpo do garoto Denilson Barbosa foi localizado depois de uma denúncia anônima. Ele teria ido pescar com o irmão mais novo, de 11 anos, e outro amigo índio, na tarde de sábado (16) e ao cruzarem com algumas fazendas próximas da terra reivindicada como indígena teriam sido abordados por homens armados que, segundo os dois índios sobreviventes, atiraram. Na fuga, Denilson teria ficado preso em uma cerca de arame farpado, e foi alcançado pelos pistoleiros, e agredido.

Parentes do adolescente e moradores da aldeia ocuparam a fazenda onde o crime teria ocorrido e enterraram o corpo de Denilson, mas já se instalou um clima de novo confronto com os produtores que vivem na região. Os índios já reivindicam a área como território tradicional indígena.

Cerca de 5 mil índios vivem na aldeia Tey´ikue em uma área de 3,5 mil hectares [1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, aproximadamente as medidas de um campo de futebol oficial]. De acordo com o Cimi, desde a criação do território indígena, em 1924, os índios são obrigados a pescar fora de sua reserva, já que não há peixes nas nascentes dos córregos existentes no interior da reserva. Segundo o Cimi, isso tem provocado problemas e conflitos recorrentes.