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MS concentra 61,6% do número de mortes de indígenas no país, diz Cimi

30 de junho 2013 - 12h15 Por Redação Douranews
MS concentra 61,6% do número de mortes de indígenas no país, diz Cimi

Mato Grosso do Sul registrou 37 assassinatos de indígenas em 2012, segundo o Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado na quinta-feira (27) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão ligado à Igreja Católica. Com 61,6% do total de assassinatos de indígenas registrados no Brasil, o estado continua à frente no número de casos no país.

O estado já ocupava o primeiro lugar no ranking. Segundo o órgão, Mato Grosso do Sul registrou 32 assassinatos de indígenas em 2011, cinco casos a menos do que no ano passado. O relatório aponta que 34 dos 37 indígenas mortos em 2012 eram da etnia guarany-kaiwá, dois eram terena e um era da etnia guarany-nhandéwa.

Ainda segundo o relatório, uma das principais causas do aumento no número de casos de violência, é o confinamento dos índios nas reservas das cidades de Dourados, Amambai e Caarapó, localizadas na região sul do estado.

Segundo o coordenador regional do Cimi em Mato Grosso do Sul, Flávio Vicente Machado, o alto número de homicídios está ligado à questão fundiária.

“Na visão do Cimi, os homicídios entre os indígenas está ligado a situação fundiária. Os indígenas estão confinados em pequenos espaços e, com esse confinamento, houve um esfacelamento interno de controle da violência. Quando há brigas entre vizinhos, por exemplo, as pessoas ao redor se afastam, em um espaço pequeno isso não é permitido”, disse.

Nos últimos dez anos, os levantamentos feitos pelo Cimi mostram que 563 indígenas foram assassinados no país, sendo que 317 destas mortes ocorreram no Mato Grosso do Sul.

De acordo com Machado, os homicídios estão relacionados com conflitos internos e não têm ligação direta com disputas por terras com produtores. “Os casos não estão diretamente ligados, mas isso não exclui a situação de tensão que existe, principalmente no sul do estado. Todos os casos estão ligados a situação territorial. Em áreas onde a população tem espaço, como os kadiwéu, os índices de homícidio são baixos ou não existem”, explicou. Segundo informações do G1.