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Índios continuam na Sesai de MS e querem saída de coordenador

19 de setembro 2013 - 21h07 Por Redação Douranews
Índios continuam na Sesai de MS e querem saída de coordenador

O prédio da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), em Campo Grande,  continua ocupado por índios que prometem sair do local somente quando o coordenador de Mato Grosso do Sul, Nelson Olazar, for exonerado. A informação é do presidente do Conselho de Saúde Indígena do estado, Fernando da Silva Souza.

De acordo com o vice-presidente do Conselho, Pedro Terena, os índios chegaram à sede da Sesai na manhã dessa quarta-feira (18) e pediram reunião com o gestor estadual “Aguardamos meia hora e ele não apareceu então fomos no gabinete dele”, fala Terena. Segundo ele, após isso, a Polícia Federal (PF) foi chamada e Olazar e funcionários deixaram o local. “Para nós, desde ontem, a Sesai MS não tem mais coordenador”.

Segundo Fernando, uma carta informando que o movimento é pacífico e que não houve expulsão dos trabalhadores foi encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), ao Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), à Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Nós não queremos o coordenador aqui dentro, mas queremos que os funcionários voltem”. “Garantimos a integridade de todos”, declarou.

Pedro Terena explica que o trabalho dos funcionários é essencial para o atendimento em saúde nas aldeias. “Tem setores importante, como o que controla o combustível”, disse referindo-se ao combustível dos veículos que transportam pacientes.

Conforme o vice-presidente do Conselho, há pelo menos 40 índios na Sesai e a tendência é que este número aumente porque outros grupos prometem ir para o local. “Viemos para acampar mesmo”, fala Terena.

Nessa quarta-feira, Olazar disse ao G1 que iria até a PG registrar boletim de ocorrência por invasão e pedir a reintegração de posse e que não descarta a exoneração.

Motivo
De acordo com Souza, os índios querem a saída de Olazar porque o atendimento em saúde nas aldeias “está estagnado”. “Houve melhoras, mas agora só vemos estagnação. É um dos piores momentos”.

A Sesai
A Secretaria de Saúde Indígena é um órgão ligado diretamente ao Ministério da Saúde e é responsável pela atenção básica e por intermediar com a rede pública hospital atendimentos de média e alta complexidade.

O presidente do Conselho informou que a Sesai em MS recebe anualmente do Governo Federal R$ 45 milhões, sendo R$ 30 milhões destinado aos recursos humanos e R$ 15 milhões para execução direta do serviço.

Segundo Souza, a utilização do dinheiro é fiscalizada pelo MPF, Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério da Saúde. Para ele, a maior dificuldade é a “burocracia administrativa”, no entanto, o que interessa para os índios é o atendimento. “Nós que estamos na aldeia, não interessa a burocracia. Para nós, o que interessa é o serviço dentro das comunidades”.