Deusmar Manoel da Silva, 53 anos, dono da estância Garrote em Miranda, a 203 km de Campo Grande, registrou boletim de ocorrência dizendo à polícia que indígenas da aldeia Passarinho tentaram invadir a propriedade na manhã dessa segunda-feira (12). O líder indígena da comunidade, Medina Terena, confirma que houve intenção de ocupar a área, mas nega que o grupo agiu com violência.
O proprietário relatou à polícia e ao G1 que os terenas chegaram aos limites da fazenda por volta das 6h ordenando que ele deixasse o local. Conforme o produtor, um trator que pertence à aldeia foi colocado pelos indígenas bloqueando a entrada da propriedade. Silva afirma que o grupo estava armado com arcos e flechas e o ameaçaram, caso não saísse do local.
O produtor afirma que se recusou a sair e disse que chamaria amigos para garantir o direito de propriedade.
Medina explica que uma cerca divide a estância da reserva indígena e que os moradores da comunidade costumam ficar perto da área. Segundo ele, um grupo estava cogitando entrar na propriedade quando o dono do local foi até eles. “Estávamos conversando e ele chegou na ignorância”, relata.
Ainda conforme a liderança, o trator teria sido queimado pelo proprietário. A Polícia Civil confirma o fato, mas diz que ainda não há informações sobre quais as circunstâncias do incêndio. O caso foi registrado como esbulho possessório e será investigado pela Polícia Civil.
Silva afirma que a máquina apresentou algum problema e pegou fogo sozinha. “Joguei bombinhas para espantar [os índios], fazer barulho e fazer com que os vizinhos viessem ajudar”, disse. Os índios deixaram o lugar de forma pacífica e a Polícia Federal fez perícia na estância durante a tarde desta terça-feira.