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HU deixa de fazer 450 cirurgias com redução de anestesistas, diz direção

19 de março 2014 - 15h28 Por Redação Douranews
HU deixa de fazer 450 cirurgias com redução de anestesistas, diz direção

O Hospital Universitário (HU) de Campo Grande deixou de realizar cerca de 450 cirurgias de janeiro de 2013 até agora. Em entrevista ao Bom Dia MS desta quarta-feira (19), o superintendente do hospital da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Cláudio Wanderley Luz Saab, afirmou que a explicação para isso é a redução do número de médicos anestesiologistas enviados pela Servan Anestesiologia e Tratamento de Dor, de sete para cinco.

"Infelizmente, essa redução de 30% impacta nos pacientes, que são os mais prejudicados", afirmou Saab.

Na entrevista, o superintendente do HU falou também sobre a tabela de valores adotada pelo hospital e sobre o concurso público para contratar novos profissionais, incluindo médicos anestesiologistas.

O Ministério Público Federal (MPF) já tem uma ação contra a Servan, em que pede que a sociedade mantenha a prestação de serviços no HU por mais seis meses, mesmo após o fim da prorrogação do contrato, em novembro.

Na mesma ação, o MPF pede que a remuneração seja feita conforme a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) e que a associação limite a 25% o número de profissionais nos municípios onde atua.

Em uma decisão do dia 6 de março, desembargadores do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) negaram por unanimidade o recurso do MPF. A Servan esclarece que continua mantendo a prestação de serviços no HU.

Cartel
A Polícia Federal (PF) indiciou oito diretores e ex-diretores da Servan por formação de cartel. Segundo o superintendente da PF em Mato Grosso do Sul, Edgar Marcon, a empresa usava uma tabela, chamada CBHPM, criada pelos próprios médicos, para fazer a cobrança em valores considerados abusivos pela Polícia Federal. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também investigou a atuação da empresa.

O Conselho Regional de Medicina (CRM-MS) descarta prática de cartel por parte da Servan Anestesiologia, que concentra 82 dos 91 anestesistas. O presidente do conselho, Alberto Cubel Júnior, diz que irá aguardar o desfecho da investigação que já teve oito diretores e ex-diretores da empresa indiciados.

O advogado da Servan, André Borges, nega as irregularidades apontadas.