O MPF (Ministério Público Federal) de Mato Grosso do Sul recebeu, sexta-feira (10), o relato de uma ameaça cometida contra liderança indígena guarani-kaiowá. Um índio, morador da aldeia Guyra Kambi'y, em Douradina, no sul do Estado, teria sido ameaçado, ao retornar de reunião realizada na Prefeitura do município, por um homem desconhecido que, após questionar nomes de líderes da comunidade, exibiu armas e deixou o alerta: “com isto aqui a gente resolve o problema”.
O estranho continuou acompanhando o índio até a entrada de uma vila, quando a bicicleta em que estava apresentou problemas na corrente, que o fez parar e possibilitou a fuga da liderança. O Ministério Público Federal só divulgou a informação na tarde desta quarta-feira (15), mas informou que já iniciou a investigação para identificar o autor da ameaça.
Essa não é a primeira vez que líderes de comunidades indígenas são ameaçados em Mato Grosso do Sul, segundo o MPF. A violência na luta pela terra já resultou na inserção de índios no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, da Secretaria de Direitos Humanos Presidência da República, e trouxe ao estado militares da Força Nacional.
Ameaças
Nos últimos anos, os guarani-kaiowá acumulam episódios de ameaça e de retirada forçada dos territórios que ocupam tradicionalmente. No ano de 2012, homens armados cercaram o acampamento Arroyo Korá, em Paranhos, que reunia cerca de 400 indígenas. Tiros foram disparados e as colheitas da comunidade, queimadas. Um índio desapareceu.
Em 2011, o cacique Nísio Gomes foi executado com tiros na cabeça na comunidade indígena Guaiviry, no município de Amambai. No mesmo ano, índios do acampamento Puelito Kue, em Iguatemi foram atacados por pistoleiros. Vários indígenas ficaram feridos e o acampamento, às margens de uma estrada vicinal, foi totalmente destruído.
Em setembro de 2009, os guarani-kaiowá da região do Curral do Arame, na BR 463, saída de Dourados para Ponta Porã, foram agredidos por um grupo de homens que entrou no acampamento atirando em direção aos barracos. Um índio de 62 anos foi ferido por tiros; outros indígenas, agredidos; e barracos e objetos foram queimados.
Um mês depois, em outubro de 2009, os professores indígenas Jenivaldo Vera e Rolindo Vera foram mortos durante expulsão do Tekoha Ypo´i, na fazenda São Luiz, em Paranhos. Os dois professores foram mortos e os corpos, ocultados. O corpo de Jenivaldo foi encontrado uma semana depois dentro no rio Ypo´i, próximo ao local do conflito. Rolindo Vera jamais foi encontrado, lembra o MPF.