O MPF (Ministério Público Federal) requisitou domingo (9) à noite, da PF (Polícia Federal) de Naviraí, a instauração de inquérito policial para apurar denúncia de violência contra indígenas da etnia guarani-kaiowá, na fazenda Cambará, em Iguatemi. Segundo informações preliminares, um índio teria sido baleado na perna e crianças que o acompanhavam agredidas com spray de pimenta, enquanto colhiam frutas nativas. Há suspeitas de que seguranças contratados por fazendeiros da região tenham cometido as agressões.
Na segunda-feira (10), o delegado da Polícia Federal responsável pela apuração dessa suspeitas dirigiu-se até o local com uma equipe e com servidores da Funai. A área está em processo de demarcação e cerca de 230 indígenas da comunidade Pyelito Kue ocupam a fazenda.
Suicídio coletivo
Em 2012, a comunidade Pyelito Kue ficou nacionalmente conhecida quando divulgou carta de repúdio à decisão judicial que determinou a reintegração de posse da área que ocupavam. À época, eles disseram que a determinação da Justiça levaria a um suicídio coletivo de toda a comunidade, já que a sobrevivência dos indígenas na região estaria inviabilizada.
A carta gerou comoção nacional e manifestações a favor da causa indígena em diversas capitais de todo o mundo. As redes sociais também foram utilizadas pela sociedade para manifestar apoio à comunidade.