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Fetems e filiados da CUT apoiam retomada indígena em Aquidauana

02 de dezembro 2014 - 18h24 Por Redação Douranews
Fetems e filiados da CUT apoiam retomada indígena em Aquidauana

A Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) participou, nesta segunda-feira (1), juntamente com representantes de movimentos sindicais filiados a CUT/MS (Central Única dos Trabalhadores), ao MST (Movimento Sem Terra) e o deputado federal eleito Zeca do PT, na fazenda Maria do Carmo, em Aquidauana, de um marco da retomada terena.  Os movimentos foram prestar solidariedade e apoio aos indígenas que estão no aguardo de uma resposta da Justiça Federal, em relação à demarcação dos 33.900 hectares da área, reconhecida como terras indígenas desde 2004, após estudos antropológicos.

Com a demarcação da Maria do Carmo, a terra Indígena Taunay/Ipegue será ampliada, e indígenas e movimentos sociais se unem na batalha para que a portaria declaratória da terra seja desengavetada, já que, segundo a assessoria da Fetems, há cerca de dez anos a terra foi declarada como indígena e até agora não foi entregue aos povos originários.

De acordo com as lideranças indígenas locais e dados da Prefeitura da cidade, atualmente, os índios que habitam o município são da etnia Terena, que formam uma população de mais de 12 mil pessoas, distribuídos em nove aldeias. Na fala dos terenas ficou claro que o número de hectares das aldeias é insuficiente para gerar o sustento das famílias indígenas da região, através da agricultura familiar, que é a principal fonte de renda local.

Além da falta de terra, também faltam questões básicas como remédios, alimentação e incentivos de produção. Como os próprios indígenas colocaram não basta devolver as terras que lhes foram tiradas e que hoje estão completamente desmatadas para pasto, principal atividade do latifúndio da região. “É necessário que os poderes constituídos forneçam condições para que os indígenas possam desenvolver a agricultura familiar, produzir o seu sustento, já que hoje, por causa da situação em que se encontra a maioria das propriedades rurais, já não é mais possível se viver da pesca e da caça”, explicaram as lideranças.


Na ocasião da visita, os movimentos, participaram de uma grande reunião com a presença de caciques, lideranças, anciões, mulheres, jovens e crianças e em todas as falas ficou claro que a CUT, o MST e seus sindicatos filiados são solidários a luta dos indígenas que sofrem diariamente o preconceito de uma sociedade que não sabe olhar para trás e reconhecer que a justiça precisa ser feita.


Nesta terça-feira (2) os movimentos acompanham, juntamente com as lideranças indígenas, uma audiência de conciliação, entre os representantes da comunidade terena e os fazendeiros, na Justiça Federal, que iniciou as 14 horas.