Mato Grosso do Sul é um dos 'fortes candidatos' no País a reviver a tragédia que ocorreu em Mariana/MG e provocou a morte de 11 pessoas, além de deixar 12 desaparecidos. O desastre afetou mais de meio milhão de pessoas em dois estados, e é considerado o mais profundo da história ambiental brasileira. O alerta vem do DNPM (o Departamento Nacional de Produção Mineral), órgão do governo responsável pela fiscalização de barragens de mineração em todo o Brasil.
O DNPM detectou duas barragens localizadas no município de Corumbá, e ambas são classificadas com 'alto risco' de se romperem, o que pode afetar milhares de pessoas, sem contar os sérios danos ao Pantanal
De acordo com a publicação do Jornal O Globo, as duas barragens são controladas pela empresa Vale, que administra a Urucum Mineração e extrai o manganês do local conhecido como Morro do Urucum, em Corumbá. Os dois reservatórios, de classificação A (Alto Risco), possuem rejeitos (minerais contidos no próprio minério, porém com maior incidência de defeitos ou impurezas) em alta quantidade. Entre eles arsênio, substância altamente tóxica, segundo análise do Centro de Tecnologia Mineral, do Ministério da Tecnologia.
Caso haja o rompimento, 103,7 mil habitantes do município de Corumbá, conforme dados oficiais do Ibge (o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), além de outras cidades ao redor, como Ladário, correm sérios riscos de vida. Além disso, a substância altamente tóxica pode contaminar uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta, o Pantanal sul-mato-grossense, que possui, segundo o Ministério do Meio Ambiente, 'uma exuberante riqueza' de bioma.
À publicação carioca, a Vale negou que o rejeito seja perigoso e disse que manteve as operações a despeito do resultado negativo das condições das estruturas. 'A companhia afirmou que inspeções feitas em 2015 se reenquadraram as bacias para baixo e médio risco, mas não apresentou documentos que comprovem isso'.
Corumbá é um dos municípios mais antigos de Mato Grosso do Sul. No passado, a cidade chegou a ter o terceiro maior porto da América Latina e serviu de entrada para imigrantes que contribuíram para o desenvolvimento do então, estado uno, Mato Grosso. Por meio da cidade, o Império Brasileiro conseguiu assegurar as suas fronteiras, inclusive na Guerra do Paraguai, relembra o jornal.