Urbanizadora vendia lotes para 'nova cidade' em Itaporã — Reprodução
O golpe é antigo, e cada vez mais se repetem práticas usualmente conhecidas no mundo policial como estelionato, fraude, ‘conto do vigário’, entre outras variações.
Foi assim, em meados dos anos 50, que ocorreu a comercialização de lotes para a criação da 'cidade do Carumbé', onde se situa ainda hoje o distrito do mesmo nome, no município de Itaporã.
Remanescente da época, o advogado José Tibiriçá revela que o próprio pai dele, por sinal homem de boa-fé e tido como um dos letrados daqueles tempos, Abílio Ferreira, foi um dos que adquiriu um lote, pagando à vista, na moeda de então, o equivalente a mil cruzeiros.
O recibo foi emitido em nome do comprador por uma empresa que se denominava Urbanizadora São Paulo-Mato Grosso, ‘proprietária da cidade Carumbé’, como se apresentava.
'Ursada'
O ano era 1956, quando o município de Itaporã contava apenas três anos de criação e o golpe já estava em vigor. A ‘nova’ cidade ficou apenas no papel.
Alguém poderia abreviar a sigla da tal ‘colonizadora’ para URSA (Urbanizadora São Paulo), o que melhor caracterizaria a ‘ursada’ aplicada aos inocentes da época.
Ursada, segundo o dicionário online de Língua Portuguesa, significa golpe, rasteira, procedimento desleal de um amigo-urso, aquele que é infiel, hipócrita e traidor.