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Aumenta número de pais que buscam registrar filhos

Mato Grosso do Sul bate recorde de reconhecimento em 2026

09 agosto 2026 - 07h13Por Assessoria

No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), o Mato Grosso do Sul convive com duas realidades opostas. Enquanto cerca de 3.100 crianças continuam sendo registradas todos os anos apenas com o nome da mãe, um número cada vez maior de pais tem procurado espontaneamente os Cartórios de Registro Civil do estado para reconhecer oficialmente os seus filhos, movimento que levou 2026 a registrar um novo recorde local, impulsionado por uma nova plataforma digital para a prática do ato.

Com crescimento de quase 165% nos últimos cinco anos, Mato Grosso do Sul já registra, em 2026, o maior número de reconhecimentos voluntários de paternidade da história recente: cerca 590 reconhecimentos espontâneos de paternidade, quase 172% acima do volume observado em 2021, consolidando uma importante mudança de comportamento na sociedade sul-mato-grossense.

Levantamento da Arpen, a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (do Brasil) mostra que, entre 2021 e julho de 2026, 2.376 cidadãos passaram a ter oficialmente reconhecida a paternidade perante os Cartórios de Registro Civil do estado. O volume anual saltou de 214 reconhecimentos em 2021 para o então recorde de 568 em 2025 (273 em 2022, 340 em 2023 e 397 em 2024). Somente até 28 de julho deste ano, já haviam sido realizados outros 584 reconhecimentos espontâneos, número que já supera o recorde registrado no ano passado.

O crescimento revela que cada vez mais pais estão buscando regularizar voluntariamente a filiação de filhos, garantindo direitos fundamentais que vão muito além da inclusão de um nome na certidão de nascimento. O reconhecimento da paternidade assegura identidade civil completa, direitos sucessórios, acesso à pensão alimentícia, benefícios previdenciários, fortalecimento dos vínculos familiares e maior segurança jurídica para toda a família.

Apesar desse avanço, os dados também mostram que o desafio permanece significativo. Desde 2021, o estado registra, ano após ano, cerca de 3.100 crianças apenas com o nome da mãe. Foram 3.115 registros nessa condição em 2021, 3.157 em 2022, 3.164 em 2023, 3.045 em 2024 e 3.216 em 2025. Apenas até 28 de julho deste ano, outras 1.913 crianças já haviam sido registradas sem a identificação paterna.

Os números demonstram que milhares de bebês ainda iniciam a vida sem que sua filiação esteja plenamente estabelecida, tornando ainda mais importante facilitar o acesso ao reconhecimento voluntário.

Reconhecimento agora pode ser iniciado pela internet

Para ampliar ainda mais esse movimento, os Cartórios de Registro Civil passaram a oferecer, neste ano, uma plataforma eletrônica que permite iniciar o procedimento de reconhecimento voluntário de paternidade pela internet, pelo site https://paternidade.registrocivil.org.br. A novidade reduz barreiras geográficas, facilita o acesso para famílias que vivem em cidades diferentes e amplia a possibilidade de regularização da filiação sem a necessidade de um primeiro atendimento presencial.

“O avanço no reconhecimento voluntário de paternidade em Mato Grosso do Sul mostra que cada vez mais pais estão buscando garantir aos seus filhos o direito à identidade completa e à segurança jurídica. Ainda há desafios, mas iniciativas como a plataforma digital ajudam a ampliar o acesso e tornar esse processo mais simples, rápido e acessível para toda a população”, destaca o vice-presidente da Arpen/MS, Lucas Zamperlini.

A ferramenta também permite que mães indiquem eletronicamente o suposto pai quando a criança foi registrada apenas com a maternidade estabelecida. Nesses casos, o Cartório encaminha o procedimento para as providências previstas na legislação, preservando todas as garantias jurídicas e os direitos das partes envolvidas.

Desde a implantação da plataforma, mais de mil procedimentos já foram iniciados em ambiente digital, demonstrando a rápida adesão da população à nova modalidade. A expectativa é que a inovação contribua para ampliar ainda mais os reconhecimentos espontâneos nos próximos anos, especialmente em regiões mais distantes dos grandes centros urbanos.

O reconhecimento voluntário pode ser realizado em qualquer fase da vida. Quando o filho é menor de idade, é necessária a concordância da mãe. Se for maior de idade, o consentimento é prestado pelo próprio reconhecido. O procedimento é gratuito e produz os mesmos efeitos jurídicos do reconhecimento realizado no momento do registro de nascimento, garantindo a plena constituição do vínculo de filiação e todos os direitos dele decorrentes.