O ex-prefeito Alcides Bernal morreu na madrugada desta segunda-feira (13), na Santa Casa de Campo Grande, aos 60 anos. Ele estava preso no Presídio Militar desde 24 de março, acusado de matar o servidor público Roberto Carlos Mazzini durante uma disputa pela posse de um imóvel.
Bernal havia sido internado no dia 30 de junho, após passar mal no Presídio Militar, onde estava preso. Na ocasião, passou por um procedimento cardíaco. De acordo com a defesa, exames identificaram uma série de lesões no coração. Após receber alta, ele retornou ao presídio.
Neste fim de semana, o ex-prefeito voltou a passar mal e foi levado novamente para a Santa Casa. A nova internação aconteceu um dia depois de a Justiça negar o pedido de prisão domiciliar, como repercute o portal G1.
O crime
Segundo as investigações, Roberto Carlos Mazzini e um chaveiro estavam em uma residência, na Rua Antônio Maria Coelho, quando foram surpreendidos por Bernal. O imóvel havia pertencido ao ex-prefeito, foi levado a leilão judicial e arrematado por Roberto Carlos Mazzini.
Bernal era acusado de atirar duas vezes contra o servidor e fugir sem prestar socorro. Horas depois, ele se apresentou à polícia e permaneceu preso no Presídio Militar de Campo Grande.
No dia 30 de junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o habeas corpus que pedia a liberdade do ex-prefeito. A decisão foi tomada menos de uma semana após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinar que ele fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Trajetória
Alcides Bernal era natural de Corumbá, advogado, radialista e político. Em 2004, foi eleito vereador em Campo Grande e presidiu a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito. Em 2008, foi reeleito e passou a comandar a Comissão Permanente de Defesa do Consumidor. Já em 2010, foi eleito deputado estadual.
Em 2012, foi eleito prefeito de Campo Grande e permaneceu no cargo até 2014, quando teve o mandato cassado. Na época, era filiado ao Partido Progressistas (PP).
Dos 29 vereadores, 23 votaram a favor da cassação por irregularidades em contratos emergenciais. Com a decisão, ele perdeu o mandato, e o vice-prefeito, Gilmar Olarte, assumiu a prefeitura.
A denúncia foi apresentada por dois empresários à Câmara Municipal em 30 de setembro de 2013. Eles apontaram contratações emergenciais sem justificativa. A denúncia foi aceita, e uma comissão processante foi criada para investigar o caso.
No processo, Bernal afirmou que não havia provas de irregularidades. Durante a votação, usou a tribuna para se defender e disse que agiu para proteger o interesse público.
Em 2015, voltou ao cargo por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Por dois votos a um, os desembargadores determinaram o retorno em agosto daquele ano, um ano e cinco meses após a cassação. Ele permaneceu até o fim do mandato, em 2016.
Após a decisão, afirmou que "a Justiça pode tardar, mas não falha", em entrevista ao g1. Ele concorreu à reeleição em 2016, mas não chegou ao segundo turno, ficando de fora por 2.630 votos.


Bernal morreu antes de obter prisão domiciliar - (Foto: Reprodução)




