De acordo com reportagem publicada nesta segunda pelo jornal O Globo, Dilma deverá falar com os doze governadores dos estados com cidades-sede da Copa já nos próximos dias. Ela tentará dividir a fatura da Copa com eles, para o bem ou para o mal. Em caso de fiasco nos preparativos, o governo federal não quer arcar sozinho com a responsabilidade pelo vexame. Se as obras avançarem como necessário, porém, os governadores podem sair ganhando. A tentativa de convencer os estados sobre a necessidade de uma parceria mais eficaz deve, inevitavelmente, passar por uma avaliação política. Para o Planalto, os governadores das melhores sedes, com obras mais eficazes, devem sair ganhando - inclusive nas urnas.
Na equipe de Dilma, um caso considerado exemplar é o da ex-governadora paraense Ana Júlia Carepa, que não conseguiu ser reeleita no ano passado. Uma das principais críticas contra ela durante a campanha foi a derrota de Belém para sua rival Manaus como sede amazônica da Copa. Dos doze estados com cidades-sede para o Mundial, oito poderão ter governadores candidatos à reeleição no mesmo ano do Mundial. Conforme o Globo, o governo pode criar uma comissão para o monitoramento do ritmo das obras nos estados. Atualmente, há atrasos nas reformas nos aeroportos e demora nos projetos de mobilidade urbana, além de uma situação potencialmente desastrosa nos trabalhos nos projetos dos estádios.
Com a demora das obras, o governo já trabalha para tentar flexibilizar a fiscalização dos trabalhos por órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU). Conforme a oposição, trata-se de uma estratégia para relaxar o rigor da fiscalização do gasto de dinheiro público, com conseqüências perigosas - o custo do evento, afirmam os parlamentares oposicionistas, poderá disparar. O governo adota outro discurso: diz que espera apenas não precisar suspender obras por causa de burocracia. Dilma estaria trabalhando para que os órgãos de fiscalização façam recomendações preventivas, apontando os problemas e indicando possíveis soluções para as obras, e não ordenando a suspensão.