As afirmações foram feitas quase duas semanas após o Ipea Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), órgão vinculado à Presidência da República, divulgar estudo em que afirma que, dos 13 aeroportos com obras previstas para a Copa de 2014, nove não terão condições de finalizar seus empreendimentos a tempo de receber os milhões de turistas que desembarcarão no país.
Para Jorge Eduardo Leal de Medeiros, professor de engenharia de transportes da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) e um dos palestrantes do evento, há problemas no marco regulatório das leis de licitação do país e na gestão do governo. Ele diz ser positivo o movimento da presidente Dilma Rousseff (PT) de fazer um acordo com o TCU (Tribunal de Contas da União) para evitar paralisações de obras, mas afirma ser necessário fazer parcerias com o setor privado para concluir as construções a tempo da Copa do Mundo.
- Terminais modulares, como os usados na Europa, poderiam ser uma solução para atender uma demanda temporária [como a da Copa do Mundo].
Já o presidente do Comitê das Empresas Aéreas (AOC - Airport Operators Committee), Hugo Fernando Lopez Cruz, também palestrante do evento, aponta a otimização da infraestrutura do que já há no país como uma forma de atender ao futuro crescimento da demanda.
- Temos que mudar a cultura operacional do Brasil. Hoje, de 30% a 40% dos usuários de Guarulhos são atendidos pelos totens [terminais de auto-atendimento que algumas companhias aéreas disponibilizam]. Isso pode ser expandido ainda mais.
Auto-atendimento
Representantes da Sita, empresa líder em tecnologia de softwares aeroportuários no mundo e fabricante de terminais de auto-atendimento, dizem que a capacidade de um aeroporto pode ser ampliada em até 70% com o compartilhamento dos terminais de atendimento por todas as companhias aéreas. Atualmente, no Brasil, os totens são dedicadas para apenas uma empresa.
Segundo Elbson Quadros, diretor da Sita, o custo dessa otimização é o equivalente de 3% a 5% de um novo terminal. Ele afirmou que para implementar esse sistema em uma aeroporto como Guarulhos custaria em torno de R$ 30 milhões a R$ 50 milhões, enquanto quem um novo terminal sairia por cerca de R$ 1 bilhão.
- Essa foi a solução adotada pela África do Sul na Copa passada. Países da Europa e vários aeroportos dos Estados Unidos já trabalham com atendimento compartilhado.
Segundo Quadros, a unificação dos sistemas de atendimento também permite que os aeroportos atendam novas linhas aéreas.
- A TAM, por exemplo, pouco antes da Copa da África passou a operar com vôos diários para lá. Os aeroportos já tinham um sistema unificado de atendimento, o que permitiu atender a empresa brasileira.
O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, cancelou sua presença no evento por causa de uma reunião de emergência com a presidente Dilma Rousseff. Em seu lugar, veio William Larry Furtado, diretor da região Sudeste da empresa responsável pelos aeroportos do Brasil. Furtado se resumiu a dizer que a Infraero vai cumprir todas as determinações do governo e que o cronograma para as obras da Copa não está atrasado.
- Este aeroporto [Congonhas] foi feito em 18 meses. Dá tempo sim.