A derrota do Brasil para a Argentina por 4 a 3, no sábado (9), marcou a 25ª partida da Seleção Brasileira sob o comando de Mano Menezes. Às vésperas dos Jogos Olímpicos de Londres e a pouco menos de dois anos para a Copa do Mundo, o técnico, com 50 anos completados dois dias depois do último amistoso, analisou o seu trabalho em entrevista exclusiva para o Esporte Espetacular, na manhã de hoje (17), pela Rede Globo, dizendo que o pior já passou.
“Fizemos essa primeira parte mais trabalhosa, que aparece menos e as pessoas entendem menos porque é assim mesmo. E agora as coisas começam a entrar mais nos eixos. Começamos a direcionar mais para essa última parte do trabalho que está se iniciando”, disse.
Em relação aos antecessores no cargo, levando em conta o mesmo período dos 25 primeiros jogos, Mano Menezes tem um aproveitamento superior ao de Parreira, 66% contra 58%, mas perde para Dunga, que atingiu 76%. Também está atrás em relação aos gols marcados: 30, contra 53 da equipe treinada pelo capitão do tetra e 41 do comandante da Copa de 2006. No número de jogadores testados, usou mais atletas: 69, enquanto Dunga convocou 45, e Parreira, 52.
“Isso também tem a ver um pouco com os problemas do nosso calendário. Por exemplo, em determinados momentos, a gente teve que abrir mão da convocação de jogadores que certamente fariam parte em alguns jogos. E você tem que apresentar outros nomes”, falou.
O número de derrotas é outro ponto negativo de Mano. Sob o comando dele, a Seleção perdeu cinco das 25 partidas nesse período inicial de trabalho, enquanto Dunga só foi derrotado duas vezes, e Parreira, três. Outro fator contra o atual técnico é a falta de conquistas. Na Copa América, título alcançado tanto por Dunga quanto por Parreira, foi eliminado nas quartas pelo Paraguai, na disputa de pênaltis.
“Você não passa por esse período de renovação tão grande sem pagar um preço por isso. A oscilação ainda dentro do jogo é um pouco maior. O último com a Argentina pode provar isso na prática”, disse Mano Menezes.
Na excursão que a Seleção fez à Alemanha e Estados Unidos, Mano contou com um time bem mais jovem, de olho nos Jogos Olímpicos de Londres. Em campo, o que se viu foi uma equipe com um perfil diferente, marcando e sofrendo mais gols. Fez dez e levou oito. O Brasil venceu Dinamarca e os americanos. Perdeu para México e Argentina.
“Você não joga bem sempre, daquele jeito de pegar a bola, driblar dois ou três e resolver o jogo. Então, você passa a trabalhar mais para os seus companheiros. Você encontra alternativas. Você faz uma assistência bem feita, quase tão bonita como um gol. O que ele fez, por exemplo, no gol do Marcelo contra os Estados Unidos. E isso, a maturidade vai dando a cada jogador, assim como para o Neymar”, disse ele, lembrando que em fevereiro deste ano Ronaldinho Gaúcho era o camisa 10 e o capitão da Seleção Brasileira. Mas, em junho, teve uma saída polêmica do Flamengo, entrando na Justiça contra o clube. Incluído na lista inicial para os Jogos de Londres, foi excluído no segundo corte, feito durante a excursão.