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Índios prestam homenagens a operários demitidos do Maracanã

14 de janeiro 2013 - 19h43 Por Redação Douranews
Índios prestam homenagens a operários demitidos do Maracanã

Os dois funcionários que pularam o muro que separa as obras do Maracanã do antigo Museu do Índio, na Zona Norte do Rio, foram surpreendidos com uma homenagem dos indígenas na tarde desta segunda-feira (14).

Sob aplausos e palavras de agradecimento, eles receberam presentes em retribuição à ajuda que deram no sábado (12), quando o Batalhão de Choque da Polícia Militar cercou o local para realizar a desapropriação do espaço.

Solidários com a causa dos índios, os carpinteiros José Antônio dos Santos Cezar, de 47 anos, e Francisco de Souza Batista, de 33, pularam o muro que separa o canteiro de obras da reforma do Maracanã e o antigo museu, para ajudar os índios no caso de a polícia invadir o local. Quando pularam o muro para retornar ao canteiro de obras, o chefe dos operários pediu o crachá de ambos e mandou que eles fossem para casa.

“Isso aqui é um patrimônio histórico. Reforma a gente aceita e entende, mas destruir não. Eles não estão reformando o Maracanã? Por que não podem fazer a mesma coisa com o museu?”, questionou José Antônio.

Para o carpinteiro Francisco, que afirma ter sido um funcionário exemplar durante um ano e meio que trabalhou na reforma do Maracanã, não há do que se arrepender. “Poderia me arrepender se tivesse pulado o muro para pegar alguma coisa de alguém, algo que não me pertence. Não foi isso que eu fui fazer. Fui ajudar uma questão que acho justa”, disse Francisco.

De acordo com os operários, no sábado, quando foram obrigados a entregar os crachás, já imaginavam que seriam punidos. “Hoje quando chegamos não conseguimos passar pela roleta, pois não tínhamos crachá. Foram chamar o chefe e ele disse que teríamos três opções, ou seríamos advertidos, ou seríamos demitidos por justa causa, ou transferidos. Disse que não aceitaria nenhuma das três, que só aceitava ser demitido com todos os meus direitos. Não fiz nada que considere errado”, concluiu o carpinteiro, destacando que sua mãe é de Reriutaba, cidade que fica no interior do Ceará, onde existia muito índio.

Ao deixar o museu, os operários se depararam com os colegas de trabalho do outro lado do muro e aproveitaram para brincar. “Olha, se vocês fizerem como a gente, vão parar do lado de cá”, disse José Antônio. Com informações do G1