ONG de direitos humanos critica "remoções forçadas" de moradores para dar lugar a obras de infraestrutura dos dois grandes eventos esportivos. Comissão da Verdade é apontada como exemplo de combate à impunidade.
Os impactos causados por obras de infraestrutura relacionadas a grandes eventos esportivos internacionais e a segurança pública foram os dois principais problemas apontados pela Anistia Internacional no relatório anual ‘O estado dos direitos humanos no mundo’, divulgado ontem (22) nas quatro páginas referentes ao Brasil.
No relatório, a Anistia critica a forma como as autoridades brasileiras realizaram as remoções de moradores para a realização de obras da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Segundo a ONG de direitos humanos, as remoções foram forçadas, e os moradores foram retirados de suas casas sem receber informações.
Também não houve uma negociação entre as autoridades e comunidades afetadas sobre alternativas à essa decisão ou indenizações compensatórias. O relatório aponta que as famílias foram levadas para regiões distantes, onde há falta de serviços básicos e segurança. Algumas foram levadas para regiões na zona oeste do Rio dominadas por milícias, diz o relatório.
Os impactos das grandes obras não atingem somente os moradores de grandes cidades. "Há também o deslocamento de populações indígenas e comunidades ribeirinhas para a construção de hidrelétricas, como Belo Monte", diz Mauricio Santoro, assessor de direitos humanos da Anistia Internacional do Brasil.
"Na questão da segurança pública ainda há obstáculos muito grandes para que o Brasil tenha uma efetivação de direitos humanos. Nessa área, temos poucos avanços e grandes retrocessos", diz Santoro. A violência policial ainda é alta e membros da organização estão envolvidos em atividades criminosas e corruptas, afirma. Com informações do Terra