A Fifa vai realizar o 64º. Congresso da entidade em São Paulo, coincidindo com a abertura da Copa do Mundo, que acontecerá daqui a dois dias. Porém, durante esta terça (10) e quarta-feira (11), o assunto que vai dominar as reuniões, entrevistas e bastidores do evento envolve acusações de corrupção e muita política.
Os escândalos não são novos para a Fifa, que tem lidado com denúncias desde a escolha do Catar como país sede da Copa de 2022. A votação que levou a isso está cercada de dúvidas. O Comitê de Ética da Fifa tem feito uma investigação que será concluída em setembro ou outubro. Porém, a imprensa inglesa tem revelado detalhes graves, o que já irritou o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Se as suspeitas forem confirmadas, uma nova votação para escolha de país sede deve ser feita.
Mas o problema desse escândalo não é apenas moral. Além de sujar o nome da Fifa, pode causar um impacto político: o presidente da Uefa, Michel Platini, é possível candidato para concorrer com Blatter à presidência da Fifa, em eleição que ocorrerá em 2015. Porém, o ex-jogador francês é um dos acusados no caso - ele já admitiu que se encontrou com o líder do esquema de corrupção, Mohammed bin Hammam, mas negou que tenha recebido dinheiro para votar no Catar.
Essa possível disputa entre Blatter e Platini será um destaque no Congresso da Fifa, pois ambos estão em São Paulo e devem se encontrar. Não será a primeira vez no Brasil: eles já ficaram no mesmo hotel, na zona sul da cidade, e também tiveram reuniões juntos. Mas são encontros burocráticos e protocolares. Além de Blatter, apenas o francês Jérôme Champagne deve ser candidato a presidente da Fifa.
A eleição terá alguns detalhes que serão debatidos no Congresso: a idade de Blatter é uma delas. Em oposição ao atual presidente, a Uefa quer proibir que pessoas acima de 72 anos se candidatem à presidência da Fifa. Blatter tem 78 e já tem feito campanha em São Paulo para barrar essa medida. "É uma forma de discriminação", afirmou.
Outro ponto que é um detalhe, mas pode crescer e se tornar decisivo na eleição, é a questão financeira. "Falam sobre a crise mundial e sobre as dívidas dos clubes, mas quero dizer que estamos bem. Então vou dar um prêmio para vocês", afirmou Blatter, sem dar detalhes sobre o bônus que distribuirá entre as federações. A medida é vista de forma polêmica, já que o presidente pode usar isso para conquistar apoio na tentativa de reeleição.