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Copa começa com só metade da estrutura pronta

11 de junho 2014 - 12h49 Por Redação Douranews
Copa começa com só metade da estrutura pronta

Faltando um dia para o início da Copa do Mundo no Brasil, apenas 50,6% das obras de mobilidade urbana e aeroportos nas cidades-sede foram entregues, segundo um levantamento feito pelo G1. Dos 44 projetos inaugurados, 14 estão incompletos por causa de atrasos e cancelamentos.

Das 74 obras de mobilidade e das 13 em aeroportos, 33 foram descartadas para a Copa e devem ficar prontas somente depois da competição. A inauguração de outras dez deve acontecer até esta quinta-feira (12) ou durante os jogos, segundo os gestores.

Entre as justificativas apontadas para o atraso ou cancelamento dos projetos estão a burocracia, imprevistos, disputas judiciais sobre desapropriações, modificação nos planejamentos iniciais e problemas com empresas contratadas, entre outros.

No Rio Grande do Sul, de 11 obras, nove devem ser entregues apenas após o Mundial. Em dezembro de 2013, a Prefeitura de Porto Alegre já havia afirmado que a maioria dos projetos será entregue somente depois do evento. Agora, o Executivo diz estar concentrado nas obras do entorno do Estádio Beira-Rio, cuja finalização está prevista para este domingo (15), durante a competição.

Em Mato Grosso, das dez obras previstas em Cuiabá, sete devem ser concluídas só depois da Copa. Entre elas, está a ampliação do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, que sofreu atrasos por causa de adequações no projeto. A reforma deve ser concluída em agosto.

Já no Rio, três das quatro obras previstas foram entregues – sendo duas incompletas.  A Estação Multimodal, única não entregue, deve ser inaugurada neste domingo.

obrasnacopa

Verbas federais e falhas nos projetos

De acordo com o Ministério das Cidades, desde 2007 o Governo Federal destinou R$ 143 bilhões para investimentos em mobilidade, sendo que R$ 102 bilhões são para obras nas cidades-sede. A responsabilidade da execução das obras é dos governos estaduais e municipais.

"Todas as obras previstas inicialmente continuam com recursos de financiamento público com juros subsidiados disponíveis e serão concluídas conforme cronograma de execução. Até o momento, oito obras de mobilidade urbana já estão concluídas e 18 empreendimentos estão em operação. O restante das obras de mobilidade urbana está em execução pelos governos estaduais e municipais e serão entregues na medida em que forem concluídas por parte das cidades-sede", informou a pasta, sem dar detalhes sobre as obras.

O ministério aponta como uma das principais dificuldades para o andamento das obras a fragilidade ou a falta de projetos de qualidade. "No desenvolvimento dos projetos básicos, o Governo Federal observou necessidade de readequações, seja pela necessidade de redução do número de desapropriações/reassentamentos, por questões ambientais ou de engenharia."

Sobre as desapropriações e conflitos de habitação, um dos principais motivos dos atrasos e bandeira de protestos realizados pelo país contra a realização da Copa, o ministério informou que "cada cidade deve realizar equilíbrio entre as soluções para o transporte coletivo e as demandas habitacionais".

Aeroportos

Dos 13 aeroportos das cidades-sede (incluindo o de Viracopos, em Campinas, que é acesso para São Paulo), nove foram entregues, de acordo com o levantamento. Destes, quatro ainda têm pendências e obras inacabadas.

De acordo com o secretário executivo da Secretaria de Aviação Civil, Guilherme Ramalho, a pasta está "satisfeita e otimista" com o andamento das obras. Segundo ele, considerando todos os aeroportos que atendem as capitais brasileiras, foram investidos R$ 11,3 bilhões entre 2011 e 2014. Foram construídos 1,4 milhão de m² de novos pátios, e a área de terminal dobrou.

Ramalho ressaltou que o setor, que está com um crescimento médio de 10% ao ano, deve continuar em obras pelos próximos dez anos. "A Copa funcionou como um catalisador, mas não fizemos investimento para ela, tanto que temos obras que vão continuar depois. Não faz sentido fazer aeroporto só para a Copa, não é como estádio", diz.

Entre os aeroportos das cidades-sede, o caso mais emblemático é o de Fortaleza, cujo contrato de obra foi rescindido. Um terminal provisório remoto apelidado de ''puxadinho'' vai ser usado como uma das áreas de embarque durante a Copa. A estrutura custou R$ 1,79 milhão.