A batalha de vozes entre alemães e portugueses não durou muito. Esteve parelha por mais de 10 minutos, mas mesmo antes do final do primeiro tempo, os gritos, aplausos e até as vaias saiam todos das mesmas gargantas. Conforme o placar na Arena Fonte Nova se consolidava a favor da Alemanha, apenas os compatriotas da chanceler Angela Merkel, presente no estádio, e os brasileiros que se juntavam a eles na torcida se faziam ouvir. Fosse nas explosões a cada um dos quatro gols marcados sobre o goleiro Rui Patrício ou na perseguição a Cristiano Ronaldo, a goleada nas arquibancadas acompanhava a indicada pelo placar: nesta segunda-feira (16), só deu Alemanha.
A festa dos 51.081 presentes começou com o aquecimento dos atletas e ganhou forma com o anúncio das escalações no telão. Em um coro ensaiado, os alemães gritavam e levantavam os braços a cada nova foto que aparecia. Quando os atletas de Portugal passaram a ser listados, o barulho foi crescente até atingir o ápice com a foto do craque. A imagem do sorridente Cristiano Ronaldo fez brasileiros se juntarem aos lusos em uma reverência de arrepiar qualquer adversário. Durante a execução dos hinos dos dois países, mais um momento de emoção. Ambas as torcidas fizeram coro para exaltar o próprio país e aplaudiram com respeito ao término do hino do rival.
Com a bola rolando, o primeiro toque do craque do Real Madrid, de letra, fez os portugueses gritarem olé. A cada arrancada do camisa sete, os suspiros de esperança em uma jogada mágica eram ouvidos e, em seguida, abafados pela frustração. Chute para fora, cabeçada para fora... Todos os lances lusos terminavam com gritos abafados nas gargantas.
A primeira explosão das arquibancadas veio aos 10 minutos, em pênalti convertido por Thomas Müller. Quando Hummels usou a cabeça para marcar 2 a 0, os portugueses murcharam. A decepção estampada nos rostos era evidente. Eles só romperam o silêncio para xingar Pepe, expulso em lance sem bola ao ameaçar uma agressão a Müller. Depois, voltaram a calar-se. Sentiam que a esperança havia se esvaído. E tiveram certeza quando Müller – ele de novo – ampliou o placar para 3 a 0 ainda antes do intervalo. As expressões de vergonha tornaram-se ainda mais marcadas quando Müller marcou o quarto para a Alemanha, o terceiro dele no jogo. Ao dar lugar a Podolski, foi mais ovacionado do que Cristiano antes de o jogo começar. Com reportagem de Helena Rebello, de Salvador, para o Globoesporte.com