Juntou toda a experiência acumulada por dez anos de viagens e participação em eventos ligados aos rodeios, Marcelo aproveitou o aprendizado em congressos e cursos, tendo inclusive feito o curso de juiz de rodeio com um dos maiores peões brasileiros, Adriano Moraes, que por três vezes foi campeão mundial.
Este é o segundo livro publicado pelo locutor douradense e atual diretor de Turismo da Prefeitura de Dourados. “Foi um trabalho doloroso, podemos dizer um parto a fórceps, haja vista as dificuldades de conseguir assimilar tudo que o mundo da montaria engloba, entre opiniões favoráveis e contrárias, o que nos faz ter muito cuidado e responsabilidade na hora de colocar no papel o que é a vida das montarias”, diz Mourão.
“O rodeio brasileiro está ficando muito americanizado e precisamos manter na competição a magia e a chance de mexer com o imaginário, trazendo além da força do esporte, a poesia e o sonho que muitas crianças trazem e os adultos guardam na memória”, diz Marcelo Mourão, lembrando e destacando que “não podemos jamais deixar de ter todos os cuidados com os animais que, na verdade, são o principal personagem nesse esporte. Não é possível que haja uma agressão e as regras buscam preservar a saúde e a integridade dos touros”.
Marcelo lembra que ao divulgar seu primeiro livro num dos maiores centros de rodeio do mundo, Barretos, chegou a ouvir de um dos peões que aguardava sua inscrição, ao oferecer-lhe um exemplar que “peão não lê; peão monta”, o que lhe despertou a preocupação em incentivar a formação de “Escolas Profissionalizantes”, onde o atleta aprende tudo sobre o esporte que pratica, como por exemplo, “a forma de postura, a educação, o aprendizado, os cuidados que se deve ter com o animal e com o atleta, entre outras tantas coisas importantes nesse mundo de sonhos, lágrimas e dores”, diz Mourão.
Fazendo uma defesa forte do esporte, Marcelo Mourão diz que “o rodeio está sendo fadado à extinção. Uma prova disso é a montaria em cavalos, hoje praticamente descartada de todas as provas em todo o mundo”, e para salvar os rodeios, ele aponta que “é preciso que todos – peões, organizadores, narradores, almofadinhas, patrocinadores – enfim, cada um que tem uma parcela de participação se conscientize e comece a olhar de forma profissional e educativa para o rodeio, que em minha opinião, é o caminho da redenção dos grandes rodeios”.
Ele acrescenta que “não basta se fazer uma festa milionária, com grandes públicos, grandes promoções, se não tivermos gente consciente, com qualificação e com respeito e responsabilidade para que o rodeio não acabe e sim tome um rumo inverso: cresça, forme, prepare e seja para sempre o sucesso que sempre foi, respeitando o meio ambiente, o ser humano e os animais, tudo através da valorização do ensinamento”.