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Palestrante diz que turismo deve agregar valores e não dizimar cidades

05 de março 2012 - 21h46 Por Redação Douranews
Palestrante diz que turismo deve agregar valores e não dizimar cidades

Em 2008, 924 milhões de pessoas circularam pelo mundo fazendo turismo. A previsão para 2020 é de que essa população que buscará atrativos turísticos chegue a 1,6 bilhão. A informação é do professor Leandro Lemos, doutor em economia do turismo, que participou sexta-feira (2), em Dourados, como palestrante no evento “Turismo, que negócio é esse?”, promovido pelo Núcleo de Turismo da Prefeitura. As informações são da assessoria de comunicação do Município.

Leandro falou do turismo como atividade econômica. Segundo ele, isso começou a acontecer a partir da década de 80 e hoje o turismo interno e externo movimenta US$ 4,3 trilhões no mundo e é responsável por 10% do emprego no planeta. No Brasil, já representa 6% do PIB (Produto Interno Bruto).

O professor disse ainda que o turismo de eventos e negócios é o que mais cresce, representando hoje 33% do segmento no mundo. “No turismo de eventos e negócios você têm uma cadeia produtiva horizontal e outra vertical. É um turismo que promove a inclusão social”, destaca Lemos.

O professor falou da má vontade que ainda existe no poder público em relação ao turismo. Segundo ele, isso é em função da má compreensão da atividade como negócio importante. Ele citou o exemplo de Porto Alegre, onde as pessoas diziam nas ruas que não havia turismo na cidade. “Fizemos uma pesquisa e verificamos que Porto Alegre recebia dois milhões de visitantes por ano. Estas pessoas não estavam tirando fotos nas ruas e monumentos, mas nos eventos e negócios”, destacou Lemos.

 

Leandro Lemos falou ainda sobre a importância da inovação para o desenvolvimento do turismo. Porém, segundo ele, como todo mundo inova, se sairá melhor quem criar redes de estratégias. Falou da importância da sustentabilidade no setor, citando como exemplo a lavagem de toalhas nos hotéis. “Você pode lavar toalhas a cada três dias e economizar milhões de litros de água por ano”, apontou, como exemplo.

O palestrante ainda falou do cuidado que a administração do turismo deve ter com suas cidades. “O turismo tem que gerar riqueza e não dizimação. A África, a Ilha de Páscoa, o Morro de São Paulo [Salvador] foram dizimados pelos turistas. Fernando de Noronha está sendo dizimado”, lembrou. “Você não pode vender a cidade; tem que transformar. Tem que preservar a identidade do local e o respeito à cultura”, acrescentou.

Vocação

O diretor do Núcleo de Turismo da Prefeitura de Dourados, Marcelo Mourão, ficou muito satisfeito com o resultado do evento e da palestra. “Foi uma palestra muito interessante que reafirmou que estamos no caminho certo. Nossa vocação é o turismo de eventos e negócios, justamente o que mais cresce no mundo”, destacou o diretor.

Marcelo disse ainda que a Prefeitura, o Conselho de Turismo e demais entidades do setor, estão trabalhando focados no desenvolvimento de todos os segmentos, inclusive o do turismo. “Vamos trabalhar a agregação de valor ao turismo e a transformação para colocar Dourados à disposição do turista do mundo inteiro, mas sem prejuízo ao meio ambiente e à cultura local. Esta é proposta do prefeito Murilo Zauith”, concluiu o diretor.