Nenhum outro traço de Oscar Niemeyer tem sido mais reproduzido do que as colunas do Palácio da Alvorada. Desde que surgiram na solidão do cerrado, elas têm sido copiadas em logotipos de carro, fachadas de casas populares, paineis de pequenos estabelecimentos comerciais. A coluna está na insignía do Governo do Distrito Federal, em capas de livros, em obras de arte. Está para o brasiliense como os traços da Bandeira do Brasil estão para os brasileiros.
O que não se sabia é que elas, as colunas, foram copiadas no projeto de uma escola da pequena Moimenta da Beira, no centro-norte de Portugal. Perderam a leveza, ficaram mais espessas e ganharam uma tonalidade rosa-choque, numa versão kitsch da arquitetura de Niemeyer. Um souvenir português na escala de 1/1. A cópia é quase tão antiga quanto o original. Já em 1962, o Externato Infante D. Henrique exibia, na fachada, as ‘colunas de Niemeyer’.
A homenagem explícita e assumida das colunas do Alvorada estão na história da resistência à ditadura de Salazar. Em 2 de abril de 1962, elas quase vieram ao chão quando pedreiros do serviço de urbanismo da cidade começaram a demolir as colunas por ordem do governo. O regime asfixiante de então considerou arrojada demais a fachada do prédio e inoportuna a homenagem a um arquiteto comunista. Decidiu-se substituir as colunas por sustentações de formato retangular.
A confusão prosseguiu nos dias seguintes, com a vinda da polícia política de Salazar, que atribuía aos comunistas o movimento pela manutenção das colunas. Os manifestantes foram interrogados, mas ninguém foi preso ou processado. O pai de Pedro Abreu era presidente da Câmara local e, embora houvesse comunistas entre os estudantes, o protesto ocorreu espontaneamente.
Pouco tempo depois, Oscar Niemeyer enviou uma carta de solidariedade a um dos diretores do colégio, padre António Bento da Guia, que havia sido ameaçado de prisão caso a fachada não fosse alterada. Na mensagem, o brasileiro elogiou a arquitetura do edifício. As colunas nunca foram demolidas, mas quando os estudantes voltaram das férias, a fachada estava cercada por um muro de um metro e meio. Com o fim do regime de Salazar, o muro foi retirado. Com informações do Correio Braziliense