Criações artísticas que utilizam como suporte, tema ou meio de expressão o espaço exterior, levam o nome de "land art". Este tipo de intervenção trabalha o terreno natural de modo a integrar-se à obra. Com esse objetivo, acadêmicos do 5º semestre de Arquitetura e Urbanismo da Unigran estão desenvolvendo projeto na disciplina de Introdução de Paisagismo, de ‘land art’ em paisagens urbanas de Dourados.
A professora da disciplina, Monad Clemente, explica que muitas vezes as pessoas entendem o paisagismo como a inserção só de plantas dentro de um ambiente, em um jardim ou mesmo na cidade, mas o paisagismo é uma intervenção na paisagem externa. “A ideia do land art vem para fazer justamente isso, usar a paisagem não como uma figura de fundo para arte, usar a paisagem mesmo como a arte”, esclarece.
O lad art constrói uma estrutura com materiais encontrados na própria natureza. “Esse trabalho faz com que o observador conheça outra paisagem, é como se desviasse a pessoa do caminho original e a trouxesse para uma arte que fica meio escondida, é uma arte feita na própria natureza e com a própria natureza”, menciona Monad.
A professora considera que Dourados é uma cidade que tem um potencial paisagístico muito grande. “A ideia do projeto foi que os alunos pegassem locais públicos, por exemplo, o Parque Arnulpho Fioravanti (parque da rodoviária), o Parque Antenor Martins (parque do lago), o estacionamento da Unigran, e, através, provocassem uma reflexão naquele espaço”.
O grupo da acadêmica Líbia Rocha fez a intervenção na Usina Velha. “Colocamos um grande ninho com alguns pássaros, pensamos na natureza que está querendo de volta esse espaço e o ninho traz essa vida, um recomeço. Então, buscando até uma contemporaneidade, conscientizar o homem dos seus valores e responsabilidades diante da natureza”, comenta.
O ninho e os pássaros, feitos de galhos secos e feno, ficaram embaixo de uma árvore. “Queremos chamar a atenção, trazer uma imagem, um alerta, levantando a questão sobre a consciência, a preservação da natureza. Esse local tem muita importância para cidade, porém está abandonado”, afirma a estudante.
Ao falar da contribuição do land art, a professora Monad Clemente assegura que além de entender a paisagem como um todo, é ver o potencial desta paisagem através da arte. “Primeiro estudamos o lugar onde vai inserir e o que fazer. É também valorizar o espaço público. O problema é que as pessoas que utilizam esse espaço, não usam adequadamente, não tem como o poder público arrumar toda hora. Tentamos trabalhar com que este espaço não seja degradado, mas despertar o cuidado da população naquele local”, destaca.