O que uma Mestre e Doutora em Linguística, catedrática da USP (Universidade de São Paulo), poderia estar fazendo à frente de um microfone, entre horas de estúdio, rascunhando e reescrevendo composições, gravando melodias e procurando cada vez novos arranjos musicais?
A pergunta, se dirigida a Dami Baz, o nome artístico da paraguaia de nascimento e douradense de coração Dami Glades Maidana Baz, encontra a resposta imediata: “Simples. Quem pensa os elementos acadêmicos e bebe da fonte da cultura guarani, só pode se aprofundar na busca dessa linguagem universal”.
Assim, Dami se define. Compositora [lançou o primeiro CD, autônomo, em 2002, e bateu mil cópias], a paraguaia de Pedro Juan Caballero diz que encontrou a recepção dos amigos para o primeiro trabalho e agora, mais ousada, está lançando o novo trabalho , gravado e mixado em Campo Grande, com patrocínios obtidos através do FIC (Fundo de Investimento da Cultura).
“Busco interpretar a diversidade da minha região. Nasci e cresci por aqui [ela concluiu a graduação no antigo campus da UFMS que deu origem à UFGD], tive a oportunidade de fazer o Mestrado e o Doutorado na USP, aprofundei os estudos da língua e da cultura guarani, e agora, como retribuição, quero mostrar esse resultado musicado”, contou ao Douranews.
As composições dela, que resultaram na obra ‘Mistura Porã’, contam com a parceria dos amigos Adriano Maggo, Sandro Moreno, Ivan Cruz e Marcelo Ribeiro, e retratam, verdadeiramente, a mistura musical da polca paraguaia, com a guarânia mato-grossense, o reggae, jazz e o blues, componentes da linguagem universal.

Dami Baz já está na estrada, em verdade, desde o final da década de 90, já passou por vários palcos, chegou ao Festival de Bonito e agora, com o lançamento do trabalho novo, quer ganhar solo europeu. Convites vindos da Alemanha despertam a alma guarani dessa paraguaia douradense e projetam o talento latino americano além mundo.