Como parte da programação da Semana Estadual dos Povos Indígenas 2016, foram inaugurados na manhã desta terça-feira (26) os bustos de Marçal de Souza e Marta Guarani, no Parque das Nações Indígenas. Estiveram presentes Edna de Souza, filha de Marçal; Susiê Guarani, filha de Marta, e Valquíria, Eder e Marlene Parlagreco, filhos e esposa do falecido escultor Paulo Rubens Parlagreco, autor dos bustos.
Marçal de Souza, o Tupã-Y (pequeno Deus), foi defensor incansável dos povos nativos brasileiros e sul-americanos e um dos líderes precursores das lutas dos guaranis pela recuperação e pelo reconhecimento de territórios ancestrais em Mato Grosso do Sul e estados vizinhos. Foi também um dos criadores do movimento indígena brasileiro, tendo sido um dos fundadores e participado da primeira diretoria da União das Nações Indígenas.
Marta da Silva Vito (Marta Guarani) nasceu em 29 de julho de 1942 na aldeia Jaguapiru, em Dourados. As principais lutas giraram em torno da demarcação de terras indígenas, do reconhecimento da dignidade do povo indígena e do combate à opressão de índios e índias. Mudou-se para Campo Grande em 1975 e conseguiu feitos importantes, como a criação da Delegacia Regional da Funai em Amambai e a fundação da Associação Kaguateca, buscando a unificação dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul e o agrupamento das nações Kadiwéu, Guarani, Terena e Caiuá.
A filha de Marta Guarani, Susiê, agradeceu a Sectei (Secretaria estadual de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação) por esse “grande momento, a inauguração desses bustos de lideranças do Estado. Isso vai ficar marcado na história, mais um ato de representação para a posteridade. Tenho orgulho de ser filha de Marta Guarani e sobrinha de Marçal de Souza. Agradeço à Valquíria e ao pai dela por essa homenagem”.
A filha de Marçal de Souza, Edna, agradeceu a homenagem em reconhecimento pela luta dos povos indígenas, “levando a conscientização na luta pelos seus direitos. Meu pai tinha consciência que em breve poderia morrer por essa causa. Hoje não existem mais pessoas desse timbre. Reconheço que a Fundação de Cultura abriu uma pequena brecha pelo reconhecimento desses povos. Essa instituição abriu uma luz no fim do túnel para que esses povos sejam reconhecidos e tenham memória. É uma homenagem àquele que chegou no limiar da sensibilidade dos povos indígenas para que outras pessoas possam se identificar nesses momentos com a luta do povo. Ele idealizou a união das nações indígenas do Brasil inteiro a lutar pelos seus direitos. Ele morreu em 25 de novembro de 1983, mas as ideias nunca morrem, perpetuam-se através dos séculos”.
O secretário de Cultura Athayde Nery afirmou ser este um momento comovente, emocionante, de pessoas que têm alma guerreira. “Morreram pelos seus sonhos, por amor às causas libertárias. Mato Grosso do Sul e o Brasil ganham com essa homenagem. O Parque das Nações Indígenas começa a resgatar essa ligação com os povos indígenas”, disse o secretário.