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Tomaz Laranjeira soube aproveitar a oportunidade

Fragmentos mostram o começo da colonização

20 de dezembro 2022 - 07h35 Por Com arquivos do CDR/UFGD
Tomaz Laranjeira soube aproveitar a oportunidade Vista da sede da companhia Mate Laranjeira, nos anos 1900 — Reprodução

O extremo sul do antigo Mato Grosso representava, nos fins de 1948, um “lugar onde as terras mais recompensassem aos trabalhos da lavoura” (como publicou o jornal O Douradense, 02/12/1948). Armando da Silva Carmelo, que foi oficial reformado do Exército, jornalista, e ainda exerceu o cargo de inspetor de fazenda do Estado de Mato Grosso, e foi membro correspondente da Academia de Letras e História de Campo Grande, foi quem fundou o jornal O Douradense. É dele também a letra do Hino de Dourados. Esses registros pertencem ao arquivo do CDR (Centro de Documentação Regional) da UFGD.

Pessoas originárias do Sul do País, principalmente de São Luiz Gonzaga e São Borja, organizados em comitivas, adentravam a região a pé, a cavalo ou em carretas puxadas por bois desde o distante Rio Grande. “Pelo rio Uruguai entravam na Argentina e seguiam até Posadas. Depois, atravessando o rio Paraná, adentravam o Paraguai, e alguns seguiam pelo rio Paraná, porém, a maioria seguia por terra até chegar ao Mato Grosso, entrando pela cidade de Amambai. Assim chegavam e se fixavam em Ponta Porã e Dourados, ou seguiam para Miranda, Aquidauana ou Campo Grande”, reproduzia o jornal.

Nas viagens, que duravam de dois a seis meses, enfrentavam enormes dificuldades, e praticamente sem recursos alimentares, “aproveitando a estação apropriada para a derrubada de matas e plantio de roças, aguardavam a colheita para abastecerem-se de víveres”. Além disso, havia os assaltos às comitivas, ataque de animais ferozes, e as enfermidades que fazia com que vários não sobrevivessem à empreitada. Os migrantes que chegavam à região no final do século XIX encontravam o espaço já “ocupado” pela Companhia Mate Laranjeira de propriedade de Tomaz Laranjeira e, naturalmente, por índios”, conforme discorreu Camila de Brito Quadros Lara, como parte da dissertação de Mestrado “O processo de formação do povoado de Dourados: história e memória”, pela UFGD. 

Tomaz Laranjeira, oriundo de Bagé/RS trabalhou como fornecedor, após a Guerra do Paraguai, na comissão demarcadora dos limites de fronteira Brasil/Paraguai. Terminado o trabalho em 1874, recebeu carretas de bois como pagamento. Ele permaneceu na região e começou a trabalhar na elaboração da erva mate. Mais tarde retornou ao Rio Grande do Sul para trazer auxiliares para melhor organizar os trabalhos. Em 1882 recebeu do governo imperial a concessão para a exploração da erva mate na região, uma vez que já possuía, desde a época do Império, concessão para tal, em regime de monopólio, de uma imensa área de ervais nativos no Mato Grosso (localizados nas matas do extremo sul da região); além disso, tinha também o direito de ocupação dos campos de criação e das matas de cultura.