Rassis Júnior e Taís Caroline foram os escolhidos — Franz Mendes
A maior Reserva Federal de Mato Grosso do Sul viveu um final de semana festivo em Dourados. Com o ginásio lotado, moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru prestigiaram, na noite de sábado (29), a etapa final do tradicional concurso de Miss e Mister Indígena 2023. Entre os 24 concorrentes, a jovem Kaiowa Tais Caroline Vera Arévalo, de 18 anos, moradora na Aldeia Bororó e o Terena Rassis Junior Garcia Rodrigues, da mesma idade, foram escolhidos durante a 11ª edição do concurso, realizado na escola Tengatuí Marangatú.
Os novos representantes da beleza das etnias indígenas de MS receberam as faixas dos antecessores Ejekelhim Souares Veron e Jordan Charles Rodrigues, eleitos em 2022. Eles conquistaram as melhores notas do corpo de jurados que avaliaram simpatia, desenvoltura, traços indígenas e roupa típica. Enquanto a comissão organizadora conferia as notas dos 24 finalistas, sendo 12 moças e 12 rapazes, os moradores da Reserva Indígena foram presenteados com uma apresentação de gala do Brô MCs.
O grupo de raper é formado na sua maioria por jovens nascidos nas aldeias Bororó e Jaguapiru. Recentemente o Brô ganhou projeção nacional e internacional após participação em shows do DJ Alok e também pela apresentação na última edição do Rock In Rio. A apresentação da dança terena, também, mais uma vez, repetiu o sucesso dos anos anteriores, como registrou o repórter Franz Mendes.
Riqueza cultural
Na avaliação da coordenadora da 11ª Edição do Miss e Mister Indígena, Micheli Alves Machado, o evento marca a força da cultura indígena da maior reserva de Mato Grosso Sul que cada vez mais tem se destacado. E fechou as comemorações da semana do índio no município.
“Não queremos ser lembrados apenas por uma data comemorativa. Queremos ser vistos com um povo de lutas históricas e que possui uma imensa riqueza cultural, com valores que precisam ser devidamente reconhecidos”, defendeu a indígena em conversa com a reportagem do jornal Midiamax.
O sentimento de Michelli também é compartilhado pelo capitão da Aldeia Jaguapiru e anfitrião da festa, Ramão Fernandes. “Esse é um momento de alegria para todos nós, que temos cruzado muitas dificuldades, mas não deixamos de exaltar as nossas vitórias”, comemora o líder.
Beleza e tradição
A escolha dos novos representantes do Miss e Mister Indígena contou com a presença de autoridades, como o prefeito Alan Guedes (PP), o reitor da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), professor Jones Dari Goettert, que apoiou o evento juntamente com a UCP (Universidade Central do Paraguai).
“As nossas comunidades indígenas são parte fundamental da cultura de Dourados. Esse concurso valoriza a beleza indígena e seus valores tradicionais. É um evento organizado pela própria comunidade e que conta com o nosso apoio”, explica o prefeito Alan Guedes.
No entendimento do reitor da UFGD, a realização deste evento público demonstra capacidade de superação. “Tudo que estamos vendo hoje aqui é resultado de um processo de resistência ao longo de décadas e ao mesmo tempo do reconhecimento de uma identidade”, pondera o professor.
O subsecretário de Políticas Públicas do MS para os Povos Originários, Fernando da Silva Souza, foi um dos homenageados no evento juntamente o repórter fotográfico da UFGD, Franz Mendes, por serviços prestados ao evento e também à comunidade indígena.
“Esse é evento tradicional da Reserva. Ele é bastante aguardado pelos moradores e também pelos participantes porque é significativo e importante porque mostra para o mundo a nossa cultura e a nossa beleza”, afirma Fernando.