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DESAFIO

Miss e Mister Indígena enfrentam 'esquecimento'

Taís e Rassis querem mais para as comunidades

06 de maio 2023 - 07h26 Por Redação Douranews
Miss e Mister Indígena enfrentam 'esquecimento' Rassis e Taís alimentam novos sonhos para aldeias — Franz Mendes

Tirar as aldeias Jaguapiru, Panambizinho e Bororó do isolamento em que vivem e recolocar em debate os temas centrais que afetam uma comunidade estimada em mais de 25 mil habitantes. Esse é o desafio assumido pela jovem kaiowá Tais Caroline Vera Arévalo, moradora na Aldeia Bororó e o terena Rassis Junior Garcia Rodrigues, da Aldeia Jaguapiru, cada um com 18 anos de idade, escolhidos no sábado (29) passado Miss e Míster Indígena durante a etapa final do concurso realizado na escola municipal Tengatuí Marangatú, na Reserva de Dourados.   

“As pessoas ainda não entendem a cabeça do índio, só acham que ele vive pelas ruas pedindo coisa e que não trabalha. Mas é que não temos uma rede de apoio e nem disponibilidade dos serviços públicos, como médico e remédios no posto”, opina Taís, que acaba de sair de outro concurso, o do vestibular para Medicina na UFGD, sonho que continuará perseguindo.

“Meus avós me contavam que antes as aldeias tinham muito movimento, havia produção, a Saúde era mais forte, vinham pessoas de outros lugares para conhecer nossa cultura, as coisas que eram feitas para atrair o turista, o esporte, principalmente no futebol, tinha força”, relata Rassis, cursando o terceiro ano do Ensino Médio na escola Guateka ‘Marçal de Souza’ e alimentando o sonho de seguir a profissão da mãe, como professor de Educação Física.

Taís e Rassis, com Franz Mendes

Taís e Rassis passaram boa parte da tarde desta sexta-feira (5), acompanhados pela tia da Miss, Sabrina Arévalo e a amiga do Míster, Layza Pereira, juntamente com um dos maiores incentivadores e divulgadores do concurso interno nas aldeias, o servidor público federal Franz Mendes, ele próprio uma espécie de ‘guardião’, como se define, desse patrimônio que simboliza o resgate cultural às raízes do povo indígena, no Douranews

Música, dança, arte plumária, cestaria, cerâmica, tecelagem e a

pintura corporal, aliás, compõem a origem milenar desses povos

Os novos representantes da Beleza Cultural da Reserva de Dourados pretendem mostrar, ao longo deste ano, que as aldeias podem conquistar muito mais do que as manchetes pelo concurso interno. Falta de água, deficiência nos postos de atendimento médico, estradas intransitáveis, criança na rua, a ameaça da invasão das drogas, falta de segurança...

“Se ao final a gente conseguir fazer com que as nossas aldeias sejam encaradas como prioridade pelas autoridades, e não continuem esquecidas, ‘separadas’ da cidade, já terá valido a pena”, concluem os ‘embaixadores’ da comunidade Jaguapiru, Bororó e Panambizinho, inconformados com a miséria que ainda provoca a morte pela fome e os casos de abusos entre mulheres e crianças.

Depois de coroados na Reserva de Dourados, eles vão agora para um novo concurso; em outubro, acontece o Miss e Míster Indígena entre representantes de todas as aldeias de Mato Grosso do Sul, na cidade de Miranda. Enquanto isso, se preparam para desfrutar o prêmio conquistado: uma viagem grátis, com acompanhantes, à cidade turística de Bonito.