De 1945 a 1982, breve e ascendente história — Reprodução
O primeiro disco dela, Viva a Brotolândia, lançado em 1961 pela gravadora Continental, foi um grande fracasso. Mas quem na época comprou aquele disco — talvez por mera curiosidade — e chegou em casa para ouvi-lo deparou-se com uma mensagem na primeira faixa que podia funcionar como uma espécie de prenúncio de quem seria aquela mulher para a música brasileira.
A então desconhecida gauchinha de apenas 15 anos, apresentada como uma sucessora da consagrada Celly Campello (1942-2003), faria hoje (17) exatos 80 anos de idade. Elis Regina nasceu em 1945 na capital gaúcha Porto Alegre e morreu em 1982, antes de completar 37 anos de idade.
A música Dá Sorte, composta por Eleu Salvador (1932-2007), diz: "Creio no supremo poder, gosto de quem gosta de mim, serei tudo que quero ser".
Com a vida abreviada por uma noite de overdose quando tinha apenas 36 anos, Elis Regina chegou ao ápice da MPB — uma MPB que ela ajudou a definir.
Segundo especialistas em música entrevistados pela BBC News Brasil, a consagração fazia parte dos planos de Elis, que traçou seu próprio caminho de forma autêntica.
"Ela foi muito solitária, mas sempre soube muito o que queria. Antes, sabia o que não queria. Depois soube o que queria", comenta à BBC News Brasil o jornalista e escritor Julio Maria, autor da biografia Elis Regina: Nada Será Como Antes, lançada originalmente em 2015 mas que acaba de ganhar uma reedição revista e ampliada.
"E não fez parte de nenhuma turma. Negou-se a ser da turma da Celly Campello, não foi da Jovem Guarda, não foi do Tropicalismo, não foi do samba, não foi do rock, não foi da bossa nova… Solitariamente, fez suas revoluções da voz e da música brasileira sabendo muito bem o que queria."