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Aldeia Panambizinho inaugura casa de reza

Ato encerra festival de música e cultura nesta sexta-feira em Dourados

16 de outubro 2026 - 13h21 Por Redação Douranews
Aldeia Panambizinho inaugura casa de reza Casa de reza será inaugurada nesta sexta na aldeia Panambizinho — Divulgação

A inauguração da Casa de Reza Ongusu, nesta sexta-feira (16), às 13h30, como espaço sagrado que ocupa um lugar fundamental na vida espiritual, cultural e comunitária do povo Guarani Kaiowá, marca o encerramento da programação do Festival Indígena de Música e Cultura, aberto na quinta (15), na aldeia Panambizinho, em Dourados.

Conhecida também como óga pysy, a casa de reza é um espaço de espiritualidade, encontro e transmissão de conhecimentos entre gerações. Nela, acontecem rezas, cantos, danças tradicionais e reuniões comunitárias, além de práticas conduzidas por lideranças espirituais e pelos mais velhos. Sua existência está profundamente ligada ao Tekoha, território tradicional onde o povo Guarani Kaiowá realiza seu modo de vida, e ao Teko porã, princípio associado a uma vida harmoniosa em comunidade e com a natureza.

A inauguração da nova Casa de Reza Ongusu também reafirma a resistência cultural indígena diante de episódios de intolerância religiosa em Mato Grosso do Sul. Em 2024, casas de reza foram destruídas por incêndios em Caarapó e Japorã. Em agosto de 2025, outro incêndio atingiu uma casa de reza na Reserva Indígena de Dourados, em um caso investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ação criminosa. Nesse contexto, a nova construção em Panambizinho representa o fortalecimento da espiritualidade, da memória e da continuidade dos saberes ancestrais.

A parceria entre o Espaço de Cultura e Arte Casulo e o povo Guarani Kaiowá é um dos pilares do festival, que busca aproximar as comunidades indígenas e não indígenas por meio da música, da arte e do compartilhamento de conhecimentos. Para Julia Aissa, coordenadora do Casulo, essa colaboração é essencial para construir pontes entre diferentes realidades e ampliar o reconhecimento das culturas originárias. “Além disso, as ações contam com a participação de mais de 300 indígenas de outras comunidades que vieram de ônibus [caravanas] para participar”, destaca.

A importância do festival para a valorização dos artistas da comunidade também é ressaltada por Cris Lossate Kaiowá. “Como mulher indígena Guarani Kaiowá, digo que o Festival de Música Indígena é muito importante, porque fortalece os artistas indígenas, que muitas vezes não são valorizados lá fora. Nossa programação veio exatamente para que os artistas indígenas se sintam acolhidos e valorizados pela comunidade”, afirma.