Em sessão marcada por debates acalorados, e os esforços do vereador Elias Ishy em tentar fazer valer a proposta de alteração em alguns pontos do projeto, a Câmara de Vereadores aprovou ontem (12), com uma única emenda, o projeto do prefeito Murilo Zauith que regulamenta o novo traçado do perímetro urbano de Dourados.
A proposta, que vem sendo alvo de discussões desde o começo do mandato do atual prefeito, foi aprovada por 11 votos favoráveis contra o voto isolado de Ishy, que sugeriu, através de emenda também derrubada pela maioria, a entrada em vigor da nova lei a partir da reformulação da Lei de Uso do Solo, outro tema polêmico e que deverá ser alvo de intensa mobilização. “Nunca fugimos ao enfrentamento, a sociedade deve decidir o que é melhor”, tem repetido o prefeito ao encaminhar projetos para a Câmara.
O projeto já havia sido discutido com os Conselhos municipais do Plano Diretor; de Desenvolvimento Urbano; Meio Ambiente; e o de Desenvolvimento. O prefeito Murilo Zauith propôs a nova área urbana de Dourados com 269 quilômetros quadrados, contra os atuais 82 quilômetros quadrados. “Como vamos triplicar o tamanho da cidade sem uma discussão mais profunda, desrespeitando tudo o que foi apontado pelos Conselhos e o Ministério Público?”, questionou o vereador Elias Ishy após ser derrotado em todas as tentativas de argumentação.
Na semana passada, uma audiência pública realizada na Câmara levou para o mesmo debate o secretário municipal de Planejamento, Antônio Nogueira e os ambientalistas Luiz Carlos Ribeiro, arquiteto e urbanista e o professor Ataulfo Stein, presidente do Conselho do Meio Ambiente, a convite de Ishy, um dos organizadores da audiência proposta.
Divergências
Durante a sessão de ontem, no calor dos debates, a Comissão de Obras, Serviços Públicos e Meio Ambiente da Casa, encarregada de avaliar mais profundamente essa alteração proposta, revelou pontos de fragilidade e de desencontros entre os integrantes. Elias Ishy, que preside a Comissão e Gino Ferreira, outro membro [o terceiro é o atual líder do prefeito na Câmara, Walter Hora] dividiram a tribuna em várias ocasiões para manifestar divergências. Gino chegou a apontar Ishy como responsável pela condução “autoritária” dos trabalhos da Comissão.