Com base em entrevistas e opiniões de vários profissionais da saúde, como cardiologistas, endocrinologistas, pediatras e nutricionistas, overeador Albino Mendes (PR) afirmou ontem ter a certeza que o projeto de sua autoria que define normas para a comercialização de alimentos nas cantinas escolares de Dourados deve ser aprovado na Câmara, “para o bem-estar e a saúde das crianças e adolescentes”.
Albino lamentou que alguns donos de cantinas não estejam conseguindo entender a sua proposta, mas reafirmou que não é contra os cantineiros e, sim, a favor da saúde. “Não sou contra cantineiros; pelo contrário, quero apenas que ofereçam alimentos saudáveis aos nossos filhos. Ninguém vai ser proibido de trabalhar. Quem está afirmando isso está querendo tumultuar, confundir a opinião pública”, desabafou.
Pelo projeto as cantinas escolares não poderão vender doces em geral como balas, chicletes, refrigerantes, além de frituras, dando lugar a frutas e sanduíches naturais, assim como os sucos.
Albino Mendes garante que a proposta incentiva a alimentação saudável entre as crianças. “A educação alimentar passa também pela escola”, diz lembrando que pesquisas revelam que a obesidade, a hipertensão, a diabetes e até mesmo problemas cardíacos têm sido cada vez mais comum entre estudantes, resultado de uma alimentação inadequada.
O vereador cita a nutricionista Daniela Wanderley de Mendonça, especializada em nutrição em pediatria na escola e na adolescência e que trabalha há dez anos com nutrição infantil em Campo Grande, onde lei idêntica já está valendo. Ela alerta que hoje o número de adultos com problemas decorrentes da má alimentação é muito grande, “porque eles não tiveram a orientação desde o início e também não havia tanta informação a respeito do que o consumo alto de açúcar podia acarretar”.
“Também tem a quantidade grande de sal e açúcar nos industrializados. A criança que consome isso todos os dias pode vir a desenvolver pressão alta”, diz a profissional, lembrando que tem um paciente com 5 anos de idade que toma remédio controlado para a pressão por causa da alimentação.
Para ela, toda a população tem a ganhar com a lei. “Nem os donos das cantinas vão perder dinheiro e nem os alunos serão induzidos mais a comprar os produtos que não são saudáveis”, opina. “É preciso entender também que o salgado não está proibido, só a fritura. Tem empada, pão de queijo, que é saudável, pastel assado. A mudança maior é no refrigerante e no doce”, sugere.
O médico Jorge Baldasso usou a tribuna livre da Câmara esta semana para chamar a atenção para o problema da obesidade infantil. “É muito crescente a obesidade infantil e se isto não for freado teremos cada vez mais crianças doentes. É preciso adotar uma política que, além de levar mais exercícios físicos para a escola, estimule uma alimentação saudável”, afirmou.
Albino Mendes volta a chamar a atenção dos cantineiros que caso o projeto seja aprovado em Dourados, eles terão 90 dias para se adequarem, “sem contar ainda os trâmites até a sanção da lei e o início do ano letivo, o que dará mais de 150 dias”.