Os estudantes aprovados pelo projeto foram divididos em grupos que reuniam acadêmicos de diferentes áreas de atuação para incentivar a interdisciplinaridade e, durante dez dias, observaram de perto o funcionamento do SUS em Campo Grande, desde o atendimento nos postos de saúde até reuniões na Secretaria de Saúde.
Letícia Castellani Duarte, coordenadora de Farmácia, explica o apoio fornecido pelo Governo Federal. “Foi oferecida toda a estrutura para o aluno, assim como material didático para que o acadêmico tivesse contato com a parte teórica do SUS. E eles tinham uma plataforma on-line em que redigiam relatórios diários, com todas as experiências e atividades que eles desenvolveram no dia”, conta.
E as experiências não foram poucas. As acadêmicas tiveram a oportunidade de conhecer diversas realidades dentro da mesma cidade, assim como puderam interagir com todos os profissionais que fazem parte do SUS, desde os mais próximos dos usuários, como o agente de saúde, até os mais distantes, como o secretário de saúde.
“Eu tinha uma visão do SUS, mas vivendo essa experiência me mostrou que a política do SUS é muito boa. Então é possível fazer dar certo”, diz Simone Faria Dourado, 29, do 7º semestre. Ela comenta que, muitas vezes, o público também tem uma visão equivocada a respeito do funcionamento do Sistema.
A coordenadora Letícia explica o benefício trazido por essa vivência. “Esse tipo de atividade permite que o acadêmico conheça todo o Sistema e o que tem sido feito de bom, e assim se sinta motivado a atuar no SUS depois de formado”, diz.
As acadêmicas contam que viram diversos profissionais engajados e preocupados em resolver os problemas dos pacientes, mas também se depararam com vários locais em que o atendimento não era satisfatório. “Nós reparamos que, nas unidades onde o fluxo de pacientes era maior, os profissionais não interagiam muito, diferente das unidades menores. Em algumas unidades não se cria um vínculo com o paciente.”, diz Edivani Cassol, 29, também do 7º semestre.
Letícia explica que as dificuldades também auxiliam o futuro profissional. “O universitário deve ser mais crítico. A realidade e os problemas que existem devem motivá-lo a transformar isso, pensar em ações que possam mudar o seu entorno. A gente sabe que existem problemas, mas ele deve estar atento para não só verificar os problemas, mas também ter a visão crítica para buscar soluções”, conclui. (TD)