O procurador do MPF (Ministério Público Federal), Marco Antônio Delfino de Almeida, confirmou na tarde desta quinta-feira (15) que já solicitou, em Brasília, a vinda de peritos para analisar documentos e suspeitas de superfaturamento na construção da Vila Olímpica indígena construída na Reserva Indígena de Dourados.
Delfino participou, juntamente com o prefeito Murilo Zauith, a coordenadora da Funai (Fundação Nacional do Índio), Maria Aparecida de Oliveira e o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena de Mato Grosso do Sul, Fernando da Silva Souza, de uma coletiva de imprensa realizada no gabinete do prefeito.
“Já solicitamos todos os documentos relacionados com a obra e encaminhamos para Brasília, acredito que no máximo em 60 dias vamos receber uma visita pericial para analisar a situação”, afirmou o procurador. A Vila Olímpica foi inaugurada no dia 9 de maio do ano passado e consumiu recursos da ordem de R$ 1 milhão e 300 mil para ser executada.
Marco Antonio informou ainda que o MPF está preparando, juntamente com a Força Nacional, uma estratégia de segurança que vai culminar com a criação, no interior da Reserva, de uma polícia comunitária. “Não se trata de reativar a ‘polícia indígena’, será um programa de segurança envolvendo policiais civis e militares e também membros da comunidade, que vão passar por um curso de formação para atuar no controle dos casos de violência nas aldeias”, explicou.
Gestão compartilhada
Ainda durante a coletiva de imprensa, o prefeito Murilo disse que todas as questões relacionadas com a comunidade indígena tem sido discutidas em conjunto. “A Prefeitura nunca impôs nenhum tipo de ação na Reserva”, afirmou o prefeito, observando que o projeto da Vila Olímpica, por exemplo, “nunca foi tratado com os índios, mas agora, depois que assumimos, iniciamos os entendimentos com o Ministério do Esporte e vamos ativar aquele local, com R$ 200 mil do Governo federal e a contrapartida do Município, de R$ 30 mil”.
A coordenadora da Funai acrescentou que o órgão também está engajado nessa proposta de gestão compartilhada. “Parece que a Vila Olímpica foi construída com pouco diálogo e por isso gerou esses desencontros entre os poderes, mas a Funai vai assumir a parte dela para colocar o espaço em funcionamento”, disse Maria Aparecida.
O representante indígena Fernando Souza disse que a proposta da comunidade das aldeias é que seja formado um conselho gestor da Vila, integrado por representantes das entidades e das três etnias. “Dentro da Reserva nós temos gente preparada para atuar nas atividades que vão ser desenvolvidas lá dentro; só profissionais de Educação Física temos mais de 20 índios formados”, relatou o indígena, que também integra o Conselho Nacional de Saúde.