Um bebê do sexo feminino que nasceu morto no HU (Hospital Universitário), na madrugada de terça-feira (15), em Dourados, aumenta o grau de insatisfação da população usuária do SUS (Serviço Único de Saúde) com a qualidade de atendimento prestado pelo hospital da UFGD no Município. A família alega que o óbito da filha é resultado de negligência do HU, que por diversas vezes negou atendimento à gestante e a mandou de volta para casa. O casal tem uma outra filha, de três anos.
A mãe da vítima, a dona de casa Josiele Lucas, de 20 anos, disse, em entrevista na rádio FM94, que na última semana foi até o hospital pelo menos sete vezes, reclamando de dores, porque achava que estava em trabalho de parto. Contudo, os médicos sempre diziam, segundo ela, que ainda não era o momento do bebê nascer e a mandavam de volta pra casa.
Já o pai da criança, o caseiro Geigue Alves da Silva, de 21 anos, relatou que na madrugada de ontem a esposa teve dores mais intensas e então ele mais uma vez acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que rapidamente atendeu a ocorrência e a levou para o hospital. Encaminhada para a sala de parto, no HU, a mulher teve a criança, mas já nasceu morta.
Segundo o marido de Josiele, a bebê estava roxa e havia defecado dentro da bolsa, em um processo conhecido como ‘mecônio’, que caracteriza sofrimento fetal antes da morte, conforme a reportagem da emissora. A mãe da criança disse ainda que assim que entrou na sala de parto e o marido permaneceu na recepção, os enfermeiros começaram a ofendê-la, dizendo: “Para de se mexer, se você cair no chão vai ficar no chão”, disse ela, reproduzindo o que ouviu dentro da sala.
Ainda de acordo com o pai, o ideal é que o parto tivesse sido realizado assim que os primeiros sintomas surgiram, na terça-feira (8) passada. “Durante o pré-natal foi tudo bem, ela não apresentou nenhum problema. Esse povo não tem coração, um dia a mais para uma criança dentro da barriga da mãe é muito tempo. É muita falta de responsabilidade”, lamentou.
Hospital Universitário
Em nota, o Hospital Universitário disse que:
“O setor de Obstetrícia do HU/UFGD, em todas as consultas anteriores à data do parto, a paciente foi examinada e não encontrava-se em trabalho de parto. Nestas avaliações, segundo a direção do setor, não havia intercorrências e estava tudo bem com a mãe e o bebê.
A paciente somente entrou em trabalho efetivo de parto na manhã de ontem (15), quando foi constatado o óbito fetal ANTES DO PARTO, situação em que a mãe e família foram informadas. A paciente foi encaminhada para o parto normal, situação usual em caso de natimortos.
Vale lembrar que o Hospital possui uma comissão de morte fetal e neonatal, que investiga todos os casos e que inclusive já foi acionada para investigar este atendimento. Sobre a data provável do parto (que, segundo o pai, deveria ser em 12 de outubro), a direção do setor explica que os médicos trabalham com previsão de datas, mas o parto pode ocorrer normalmente e sem riscos antes ou depois desta data."