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Família acusa HU pela morte de criança nascida depois do prazo

18 de outubro 2013 - 12h41 Por Redação Douranews
Família acusa HU pela morte de criança nascida depois do prazo

Um bebê do sexo feminino que nasceu morto no HU (Hospital Universitário), na madrugada de terça-feira (15), em Dourados, aumenta o grau de insatisfação da população usuária do SUS (Serviço Único de Saúde) com a qualidade de atendimento prestado pelo hospital da UFGD no Município. A família alega que o óbito da filha é resultado de negligência do HU, que por diversas vezes negou atendimento à gestante e a mandou de volta para casa. O casal tem uma outra filha, de três anos.

A mãe da vítima, a dona de casa Josiele Lucas, de 20 anos, disse, em entrevista na rádio FM94, que na última semana foi até o hospital pelo menos sete vezes, reclamando de dores, porque achava que estava em trabalho de parto. Contudo, os médicos sempre diziam, segundo ela, que ainda não era o momento do bebê nascer e a mandavam de volta pra casa.

Já o pai da criança, o caseiro Geigue Alves da Silva, de 21 anos, relatou que na madrugada de ontem a esposa teve dores mais intensas e então ele mais uma vez acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que rapidamente atendeu a ocorrência e a levou para o hospital. Encaminhada para a sala de parto, no HU, a mulher teve a criança, mas já nasceu morta.

Segundo o marido de Josiele, a bebê estava roxa e havia defecado dentro da bolsa, em um processo conhecido como ‘mecônio’, que caracteriza sofrimento fetal antes da morte, conforme a reportagem da emissora. A mãe da criança disse ainda que assim que entrou na sala de parto e o marido permaneceu na recepção, os enfermeiros começaram a ofendê-la, dizendo: “Para de se mexer, se você cair no chão vai ficar no chão”, disse ela, reproduzindo o que ouviu dentro da sala.

Ainda de acordo com o pai, o ideal é que o parto tivesse sido realizado assim que os primeiros sintomas surgiram, na terça-feira (8) passada. “Durante o pré-natal foi tudo bem, ela não apresentou nenhum problema. Esse povo não tem coração, um dia a mais para uma criança dentro da barriga da mãe é muito tempo. É muita falta de responsabilidade”, lamentou.

Hospital Universitário

Em nota, o Hospital Universitário disse que:

“O setor de Obstetrícia do HU/UFGD, em todas as consultas anteriores à data do parto, a paciente foi examinada e não encontrava-se em trabalho de parto. Nestas avaliações, segundo a direção do setor, não havia intercorrências e estava tudo bem com a mãe e o bebê.

A paciente somente entrou em trabalho efetivo de parto na manhã de ontem (15), quando foi constatado o óbito fetal ANTES DO PARTO, situação em que a mãe e família foram informadas. A paciente foi encaminhada para o parto normal, situação usual em caso de natimortos.

Vale lembrar que o Hospital possui uma comissão de morte fetal e neonatal, que investiga todos os casos e que inclusive já foi acionada para investigar este atendimento. Sobre a data provável do parto (que, segundo o pai, deveria ser em 12 de outubro), a direção do setor explica que os médicos trabalham com previsão de datas, mas o parto pode ocorrer normalmente e sem riscos antes ou depois desta data."