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Reportagem mostra que reserva de Dourados é área mais violenta do Brasil

25 de fevereiro 2014 - 21h05 Por Redação Douranews
Reportagem mostra que reserva de Dourados é área mais violenta do Brasil

Os irmãos Devanildo, de 19 anos, e Ioracilmo, de 26, deixavam em maio passado um bar próximo à reserva indígena de Dourados, quando foram atacados. A índia guarani kaiowá Doraci Cláudio encontrou os filhos à beira da estrada, os corpos rasgados por lâminas. Perto dali, seis anos antes, a polícia foi acionada para recolher o corpo de um jovem desfigurado por 25 golpes de facão, a maioria no rosto. Era Vanilson, 26 anos, também filho de Doraci.

"Nunca acaba a dor de perder um filho, e eu perdi três", ela diz, em reportagem produzida pelo jornalista João Fellet, enviado especial da rede BBC Brasil a Dourados para produzir reportagem sobre os altos índices de violência entre os índios.

As mortes dos irmãos ilustram a gravidade da violência sofrida por indígenas em Mato Grosso do Sul. Dados da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) obtidos pela BBC Brasil com base na Lei de Acesso à Informação revelam que em nenhum outro lugar do país tantos índios morrem por causas externas.

Entre 2007 e 2013, o DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) do Estado registrou 487 mortes violentas de índios, das quais 137 por homicídio. Pelo menos 14 desses assassinatos ocorridos em 2013 tiveram como endereço a reserva de Dourados, onde Doraci perdeu seus filhos.

O dado confere à área o índice aproximado de 100 mortes por 100 mil habitantes, maior que a taxa de homicídios no Brasil (25,8) e até que a da capital mais violenta do país, Maceió, em Alagoas, onde o índice é de 79,8 mortes por 100 mil habitantes, descreve a reportagem.

A reserva, onde 14 mil índios dividem 3,5 mil hectares, é quase uma extensão da cidade de Dourados, com características comuns a bairros periféricos brasileiros. Em comparação, na Amazônia, grupos indígenas com população menor que a da reserva sul-mato-grossense costumam dispor de áreas cem vezes maiores, diz a BBC Brasil.

Veja a reportagem completa