Duas meninas indígenas, uma de 11 e outra de 13 anos de idade, prestaram depoimento na tarde de ontem (15) após a declaração de que teriam sido vítimas de violência sexual por parte do próprio padrasto, com quem conviviam na aldeia Bororó, em Dourados. O Conselho Tutelar acompanha o caso.
A menina de 11 anos contou que fugiu de casa e foi buscar ajuda no Cras (Centro de Referência em Assistência Social) Indígena, onde acabou relatando que era vítima de abusos cometidos pelo padrasto. A irmã dela, de 13 anos, também confirmou que já havia sido submetida aos mesmos abusos por parte do homem.
Reportagem desta quinta-feira (16) do jornal Diário MS mostra que as duas crianças foram encaminhadas para a Deam (Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher), onde prestaram depoimento. A mãe delas também foi ouvida, e disse que não sabia das atitudes do marido com as filhas. O caso foi registrado como estupro de vulnerável, e as duas meninas deverão passar ainda hoje por um exame de corpo e delito.
Até que o inquérito seja concluído, elas devem permanecer junto da mãe na casa de familiares e longe do padrasto, conforme informado pelo Conselho Tutelar, porém, a delegada Rozeli Dolor Galego, que cuida do caso, disse que o laudo técnico é uma prova, mas não é fundamental para que o padrasto seja de fato indiciado pelo estupro.
O caso das duas meninas contabiliza um total de 13 estupros registrados somente este ano dentro da Reserva Indígena de Dourados, segundo a publicação. A maioria dessas ocorrências envolve moradores da aldeia Bororó [considerado o lado ‘mais pobre’ da Reserva], conforme dados da Polícia Civil. No ano passado, até setembro, haviam sido registrados seis casos de estupro na aldeia, segundo a delegada.