Ramão Fernandes, primeiro presidente da GMI, com João Frazão, da Guarda Mirim — Foto: Douranews
Levantamento feito pelas entidades do setor indicam que as comunidades indígenas, por mais assistidas que possam estar, ainda enfrentam a problemática da falta de atendimento aos inúmeros adolescentes que acabam sendo atraídos para o mundo das drogas, com a falta de oportunidades no mercado de trabalho e a própria discriminação sofrida em relação à chamada ‘comunidade branca’.
Foi com essa preocupação que Ramão Fernandes, liderando um grupo de indígenas, como as lideranças terena Silvio de Leon, capitão da aldeia Bororó e guarani, Gaudêncio Benitez, capitão da aldeia Jaguapiru, procurou o presidente da Guarda Mirim de Dourados, João Frazão, para avaliar a possibilidade de criação de uma ramificação da entidade voltada ao atendimento específico dos jovens das comunidades da Reserva de Dourados.
Ramão tem uma neta, Jéssica, que formou na primeira turma da Guarda Mirim ‘Dr. João Adolfo Astolfi’ criada no ano passado por lideranças da comunidade, encabeçados pelo voluntário João Frazão. “E foi a partir de ver como ela cresceu, em todos os sentidos, após essa formação, que sentimos a necessidade de ampliar esse sonho para toda a Reserva; procuramos o ‘seo’ João e tivemos pronta resposta para criar a nossa Guarda Mirim”, disse Ramão Fernandes.
João Frazão e os diretores da Guarda já se reuniram com as lideranças das duas aldeias e foi, inclusive, constituída a primeira diretoria da GMI (a Guarda Mirim Indígena), que vai homenagear o ex-cacique Ramão Machado. Ramão Fernandes foi escolhido presidente e Gaudêncio Benitez o vice, enquanto Silvio de Leon integra o Conselho Fiscal. Após entendimentos com a Funai, os dirigentes receberam o aval do coordenador local, Vander Nishijima, para desenvolver as atividades nas instalações do NAM (o Núcleo de Atividades Múltiplas), construído pela Unigran na aldeia Jaguapiru.
“Ficamos muito contentes com a firme decisão da diretoria da Guarda Mirim da cidade, que veio até nós, ajudou a gente a criar a Guarda Mirim Indígena ‘Ramão Machado’ e está nos apoiando em todas as ações”, disse o presidente Ramão Fernandes. Nova reunião, agendada para esta terça-feira (20), às 14 horas, já vai definir a data da abertura de inscrições e início das aulas do novo grupo. “Vamos começar com uma média de 40 a 60 alunos”, informou o presidente da GMI, acrescentando que foram feitas pesquisas e não se identificou até agora a formação de nenhuma entidade com objetivos e finalidades semelhantes em todo o mundo.

Ramão e Silvio, nas laterais, com dirigentes da Guarda Mirim, João Frazão, Romilda
Gonçalves e Sebastião de Oliveira, anunciando nova entidade no Douranews
Perspectivas de futuro
Após participar dos encontros com as lideranças da Reserva e ver o bom rendimento dos seis indígenas que já integram a entidade [dois se formaram na primeira turma e outros quatro estão frequentando as aulas na segunda turma], João Frazão disse não ter dúvidas nenhuma de que a Guarda Mirim Indígena nasce comprometida com o sucesso.
“Nesses encontros, ouvimos relatos de crianças de 13 anos que já possuem filhos e meninos de 14 anos que já são pais entre os índios; com a Guarda, vamos dar as condições para a boa formação, orientar esses adolescentes a construírem as coisas no devido tempo e ao mesmo tempo abrir as oportunidades de um mercado de trabalho futuro, com perspectivas de crescimento profissional”, avaliou João Frazão, satisfeito em poder contribuir com os moradores da Reserva de Dourados nesse sentido.