Eleito no dia 15 de novembro do ano passado para a Prefeitura de Dourados com o discurso de que ‘representava’ o novo, mesmo depois de já ter disputado cinco eleições até então, e vencido duas, ambas para a Câmara de Vereadores, o prefeito Alan Guedes (PP) já culpava o Estado pelo que traduziu como “omissão” no repasse dos recursos para a Saúde do Município.
A série de abordagens, encomendada pelo portal G1 a todos os candidatos a prefeito no País nas eleições de 2020, mostrou, no caso de Dourados, um Alan Guedes ousado e pretencioso, ao contrário do que saiu das urnas.
“Não podemos continuar sendo vítimas da omissão do Estado em repassar per capta para Dourados menor do que repassa para Campo Grande, Três Lagoas e Corumbá, exigimos respeito do Governo de Mato Grosso do Sul”, cobrava o então candidato, ameaçando, inclusive, de judicializar a questão.
Em campanha, Guedes dizia que a Prefeitura de Dourados teria dificuldades em gerenciar a Saúde enquanto tivesse que tirar, segundo ele, mais de um milhão de reais por mês da Atenção Primaria para aplicar na MAC (Média e Alta Complexidade), suprindo a ausência do Estado.
E o que se vê hoje, dez meses depois? O Estado injetando recursos para que o Município pague pelos serviços contratados de médicos e plantonistas na Atenção Básica e uma Fundação de Saúde, que assumiu com rombo equivalente a R$ 70 milhões, já afundada em dívidas que passam de R$ 100 milhões e condenada ao caos: o retrato é o Hospital da Vida, fechado ao atendimento.